Paralelas
Esta postagem foi publicada em 5 de junho de 2017 e está arquivada em Paralelas.

Pronto, falei!

Sempre me mantive cheia de dedos para falar sobre determinados assuntos que poderiam ser tomados como ciumeira comercial de minha parte ou de nossas empresas, ou como ganância. Assim sendo, me mantive engolindo despropósitos, sempre tentando me convencer de que o sol nasceu pra todos, que o talento se sobrepõe e que a legalidade vale a pena.
O problema é que a legalidade tem valido só para alguns, ou seja, aqueles que estão legais. Estes são fiscalizados e cobrados nos mínimos centavos da lei. Existem casos assim em vários segmentos, como a tal da pirataria. No nosso caso, me refiro às rádios piratas que proliferam, cujos “empreendedores” são recebidos nos meios empresariais e sociais, e conquistam investimentos de nossas empresas e entidades. Mesmo as rádios comunitárias, quando legalmente constituídas, na maioria recebem publicidade de forma que lhes seria vedada pela legislação, pois não podem conter comerciais ofertando produtos, serviços, endereço… Além disso, operam com potência muito superior a que lhes é permitida, ultrapassando em muito o alcance que deveriam ter. No conjunto, concorrem de forma imoral e ilegal com as emissoras que pagam impostos, ECAD, e têm seu sistema operante fiscalizado pelos órgãos competentes, com aplicação de pesadas multas se algo incorrer contra a legislação do segmento. E muitos empresários, desinformados ou desinteressados da legislação, investem nestes veículos e ainda tendem a comparar preços com quem está legalmente estabelecido com rádio comercial.
Abordei só alguns aspectos do segmento rádio, para sobrar espaço que permita referir também o caso dos jornais. Tem a questão da concorrência de algumas mídias digitais, que se valem ilegalmente do conteúdo produzido pelos veículos impressos, para atrair leitores às suas plataformas, muitas vezes sem compromisso com a verdade, e nem sofrem a penalização a que está sujeito um veículo impresso, cuja informação fica ali documentada para todos os tempos.
Ainda temos a questão cultural para enfrentar. Com o ensino em nível rasteiro que nosso país proporciona, uma grande parcela das pessoas não tem formação e alcance cultural para diferenciar um jornalismo sério e isento daquele outro – a picaretagem comprometida com interesses econômicos e políticos escusos. E muito bem negociados.
É difícil para o jornalismo de qualidade obter reconhecimento num meio onde boa parte da sociedade só enxerga as figurinhas bonitas das páginas, e não consegue nem avaliar se ali está um português que mereça chegar às casas das pessoas e contribuir para a formação cultural de quem leia.
Sei que muitos outros segmentos se identificarão de alguma forma com este tipo de dificuldade enfrentada no mercado de consumo. Sintam-se representados, com todo respeito ao diferencial que produzem.

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