Cultura e Lazer

Taquarense se destaca em eventos de dança pelo país

Um passo por vez. A dança ensinou o taquarense Fabiano Soares de Lima que as conquistas chegam aos poucos e,

Um passo por vez. A dança ensinou o taquarense Fabiano Soares de Lima que as conquistas chegam aos poucos e, muitas vezes, naturalmente. A criança encantada pelos ritmos dos corpos ao movimento de músicas se tornou um dos coreógrafos da São Paulo Companhia de Dança (SPCD), e coleciona mais de 250 prêmios em festivais nacionais e internacionais. Radicado em Goiás, onde trabalha atualmente, o artista segue alcançando novas conquistas.

Fabiano Lima em preparação para iniciar sua apresentação.

Nascido e criado em Taquara, onde morou até os 21 anos, Fabiano diz ter carinho especial pela cidade. “Sinto muita falta dos meus pais, irmãos, tios, primos e amigos. No interior, você encontra as pessoas na rua para conversar e isso fortalece e estreita relações”, comenta. Quando criança, Fabiano lembra que assistia aos espetáculos da Andanças, dirigidos por Rita Candemil, e os achava mágicos. Mais tarde, trabalhou com a companhia. A irmã Mabel também influenciou no gosto pela dança.

A vida exigiu que Fabiano fosse embora para Novo Hamburgo, onde iniciou os estudos em dança. A dedicação era total à arte. “Vivi e ainda vivo para isso.” Dois anos depois, Fabiano recebeu convite para ingressar em uma companhia de Salto, interior paulista. Em São Paulo, diz ter descoberto o mundo de grandes referências e base sólida em dança clássica e contemporânea. “As pessoas não imaginam o quanto essa profissão é difícil e sofrida ao mesmo tempo. Um recomeçar diário. Você entrega sua vida para a arte”.

Aos poucos, foi se descobrindo como coreógrafo. Hoje, planeja aulas, ensaia e ensina. Fabiano busca a perfeição o tempo inteiro, mesmo sabendo que ela não existe. É obstinado, e assim garante que permanecerá. “Não existe outro caminho, outra forma para atingir uma boa qualidade técnica.” Apesar da intensa rotina, afirma nunca ter pensado em desistir. “Faço e dou o meu melhor”, garante.

As premiações sempre foram constantes na carreira do artista, em grandes e pequenos festivais pelo Brasil e fora dele. Ao todo, mais de 250 títulos foram conquistados, entre primeiros, segundos e terceiros lugares, destaques, melhor da categoria, melhor coreógrafo. “De forma alguma deixo alimentar meu ego. O palco é resultado de um trabalho feito diariamente, e confesso que ele é um dos melhores lugares”, reflete.

O trabalho o fez morar em muitos lugares. “Conheci grandes profissionais da dança, centenas de bailarinos, pessoas que sou e serei eternamente grato”, relembra, ao descrever o carinho daqueles que o cuidaram, ajudaram-no na profissão e o enriqueceram com conhecimento. “Ainda prefiro acreditar que não sei nada e realmente tenho muito a aprender. O que consegui é pequeno comparado às possibilidades que a arte nos dá.”

A última premiação veio pela Escola de dança Noara Beltrami, de Brasília (DF), pela seletiva do concurso Passo de Arte Minas Gerais. Foram três obras apresentadas por Fabiano: um solo, um duo e um trio, que receberam os primeiros lugares. O solo ainda levou a maior média do festival, com a nota dez. “Geralmente são de cinco a seis trabalhos competindo em cada categoria”, explica, ao lembrar que o Passo de Arte é um dos maiores festivais de dança do Brasil.

A rotina durante a semana é atarefada. Na Noara, Fabiano trabalha aos domingos. Diz acordar às 4 horas, mas chegar à escola por volta 9 horas, e trabalhar geralmente até 21 horas. Os encontros acontecem mesmo em feriados ou datas comemorativas. Entre montagem de uma obra curta de dois a três minutos, Fabiano conta que seriam de três a quatro meses de ensaios até uma primeira estreia. “A pesquisa é constante. Um trabalho leva ao outro. Então, às vezes são anos para chegar àquilo que se quer.”

O convite para coreografar na São Paulo Companhia de Dança (SPCD), mantida pelo governo do Estado de São Paulo, e umas das maiores do Brasil e América Latina, veio no ano passado. “A dança é uma grande paixão e amor.” Com a obra Pivô, a Cia recebeu o terceiro lugar pelo Guia Folha UOL de melhor montagem e criação de espetáculos de 2017, em cartaz na capital paulista.

Hoje, Fabiano reside em Goiânia e também trabalha como professor e coreografo na Escola de Artes Veiga Vale e Basileu França, “onde música, dança, teatro, circo, artes plásticas e cursos técnicos fazem parte da formação.” O taquarense também está na direção do projeto Caixa de Memórias, aprovado pelo Fundo de Arte e Cultura de Goiás. O espetáculo são remontagens de obras dos principais coreógrafos brasileiros a partir da década de 1980. A expectativa é de que a estreia aconteça entre 2017 ou 2018. “Pretendo continuar minhas pesquisas como coreógrafo, buscando o amadurecimento e me dedicar também à direção”, revelou.