Paralelas
Esta postagem foi publicada em 7 de julho de 2017 e está arquivada em Paralelas.

Bye, bye Brasil!

Uma frase/pensamento/comentário que circulou esta semana nas redes sociais, me chamou a atenção. Na verdade, duas. A primeira, atribuída à Marylin Monroe, diz que “Uma carreira é construída em público, o talento em privado. A outra, da atriz Maryl Streep, refere-se diretamente às atitudes desrespeitosas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, especialmente em relação aos jornalistas e à imprensa em geral. Um verdadeiro deboche, um desrespeito que, em todas as esferas, segundo a atriz, só pode gerar mais desrespeito.
As duas citações, postadas separadamente por pessoas diferentes, de alguma maneira se completam e evidenciam, por um lado, a educação e o respeito por nós mesmos e à carreira que construímos. No privado, cada um deveria saber e se orgulhar de suas potencialidades e aptidões (e investir no seu próprio desenvolvimento pessoal e profissional), enquanto que publicamente é preciso ter trilhado muito em esforço e competência para solidificar uma carreira e ter o que mostrar. Do contrário, esbarramos com a total falta de respeito que permeia, cada vez mais, este bizarro mundinho habitado por nós.
Diante de tantos maus exemplos, e os nossos políticos lideram descaradamente o ranking da safadeza e do total desrespeito com o povo brasileiro, falar de gentileza, de respeito, de amor e de poesia pode até parecer surreal, dissonante e totalmente incoerente com essa realidade. Institucionalizaram o deboche, o escracho, o desaforo, as ofensas, a discriminação e a vaidade.
Decretaram o fim dos bons modos, e isso vem de berço, de casa, de pai e mãe, da escola, da vida que ensina. Naufragaram as boas maneiras, enterraram o por favor, o com licença, o muito obrigado em nome do ego. E eis que é só o que restou. Ego, ganância e vaidade jorrando em milhares de posts, incluindo as ridículas e cada vez mais ofensivas “tuitadas” de Trump.
Logo ali, em Brasília, alguma formalidade tenta disfarçar a sem-vergonhice do salve-se quem puder para continuar delatando os iguais. Ao povo, as bananas cultivadas no solo dessa República Federativa pelas mãos de quem não sabe roubar por decência e respeito ao seu semelhante.
Aos que constroem carreiras públicas ou privadas, com talento e honestidade moldados na privacidade, cabe lutar para manter uma certa dignidade, que já dá sinais de esgotamento.
Por isso, não se assuste se o seu vizinho, exemplo a ser seguido desde a infância, acordar qualquer hora dessas irreconhecível (de topete louro e pele alaranjada ou com perfil reptiliano, esfregando as mãos) e largar tudo para se candidatar nas próximas eleições, coligado com os que, desrespeitosamente, faliram e pilharam este país.
Tudo bem, ninguém é de ferro e incorruptível, mas ao menos você ainda detém o poder do voto ou de argumentar como uma amiga minha esta semana, que foi morar no exterior: “A única saída para o nosso país é o aeroporto”.
Bye, bye Brasil

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