155 anos de história da Comunidade Evangélica em Taquara
A história da Comunidade Evangélica de Taquara, filiada à Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), se funde com o início da colonização da Colônia do Mundo Novo a partir de 1846, quando Tristão José Monteiro dividiu esse enorme feudo em lotes. Foi grande a procura de terras por imigrantes alemães do Hunsrück (Alemanha) e por descendentes de imigrantes oriundos das colônias de Dois Irmãos e Hamburgo Velho. O atendimento religioso era precário, feito por pastores vindos de São Leopoldo e redondezas. O primeiro registro oficial da comunidade é de 1854 e se constitui de quatro batismos oficiados pelo pastor Haesbaert, vindo de Hamburgo Velho.
Entre 1872 e 1874 foi construída a primeira igreja evangélica em Taquara, sem torre e sem sinos, pois isso era proibido aos não-católicos durante o Império. Porém, antes do fim deste regime, foi construída a torre. Em 1888 já badalavam os três sinos que ainda hoje se ouvem. Foram importados da Alemanha e instalados na calada da noite. Há notícias de que foram fundidos de canhões usados na Guerra Franco-Prussiana, de 1870-1871.
A igreja velha foi demolida. Em 1935, em apenas nove meses, foi construída a atual igreja, em estilo neo-gótico alemão, bem defronte ao templo católico, constituindo-se, ambas as igrejas, num dos mais famosos cartões postais de Taquara. Consta que esta posição, frente a frente, é única no mundo. O relógio da torre data de 1944.
A presença evangélica em Taquara também se faz sentir na educação e na diaconia. Já de 1873 há registros de uma escola alemã, cujo responsável era o pastor Dietschi. Em 1931, Dorothea Schäfke, esposa do pastor Schäfke, abriu um jardim de infância. A escola foi crescendo e transformou-se no que hoje é denominado Centro Sinodal de Ensino Médio Dorothea Schäfke, que continua ligado à Comunidade Evangélica. Em 1973, foi fundado o Lar OASE, que atende a idosos.
Na segunda Guerra Mundial, o silêncio foi imposto à Comunidade, por ser de origem alemã. A língua foi proibida e muito material destruído. Mas os evangélicos resistiram e continuam atuantes na história de Taquara, iniciada há mais de um século e meio.
Elaine Miriam Haag


