Educação

Instituto Federal passa a ter aulas em novo campus e luta contra corte de recursos

Contingenciamento de recursos do governo federal está preocupando equipe que mantém o recém-inaugurado campus Rolante.
Diretor Jesus e o professor Rafael Aguiar no campus de Rolante, que está em seu primeiro mês de aulas. Vinicius Linden/Jornal Panorama

ROLANTE – Desde o último dia 31, o Instituto Federal de Educação (IFRS) está atendendo em seu novo campus, às margens da ERS-239. Com isso, deixou de utilizar as salas de aula da Escola Oldemburgo, da Igreja Católica e do Sindicato dos Sapateiros, em Rolante. Mesmo com a nova estrutura em uso, o Instituto luta para evitar a diminuição de recursos destinados à manutenção, devido ao significativo contingenciamento de verbas efetuado pelo governo federal.

Atualmente, o Instituto possui aulas no turno da manhã e à noite, com turmas de cursos técnicos em agropecuária e informática. Há turmas de ensino integrado ao médio, em que os alunos têm as capacitações técnica e, após quatro anos de estudos, também saem formados do ensino médio. Ao todo, são nove turmas, com 264 alunos matriculados. O campus ainda possui 13 cursos de extensão, oferecendo mais de 230 vagas. Ao todo, entre o curso de graduação em processos gerenciais e as capacitações técnicas, o campus oferece cerca de 500 vagas. A formatura da primeira turma ocorreu no último dia 4.

Ao todo, são 32 professores e mais 30 servidores que trabalham na unidade. Segundo o diretor-geral, Jesus Borges, e a diretora de ensino, Letícia Martins de Martins, o campus está pronto, apenas com algumas adequações em andamento. Recentemente, foi feito o calçamento para o acesso e pórtico. Agora, falta apenas a melhoria da entrada pela ERS-239, o que exige, inclusive, uma negociação com a Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR) para a instalação de uma rotatória na rodovia.

O que mais tem preocupado Jesus, porém, é a diminuição nas verbas para o Instituto Federal, não apenas para o campus Rolante, mas para outros em todo o Brasil. Segundo ele, a unidade rolantense, quando foi projetada, era para possuir dois blocos, o administrativo e o didático. A verba liberada, no entanto, possibilitou apenas a construção do primeiro bloco, que agora foi adaptado para sediar as salas de aula. Ao todo, a área construída é de 2.727 metros quadrados. “O administrativo se tornou o prédio didático e, com isso, tivemos que fazer ajustes, como as divisórias com gesso acartonado, que, inclusive, geram dificuldades no isolamento acústico”, comentou Jesus. “Mesmo assim, estamos muito felizes em conquistar a nossa casa própria”, frisou.

O diretor ressaltou que a área de terras destinada ao Instituto possui mais de 50 hectares e, por enquanto, não há previsão da instalação dos demais espaços de estudos. Os locais destinados aos animais, estufas, entre outros, ainda não têm verbas para serem construídos, o que determina a necessidade de parcerias com produtores locais para as aulas técnicas de agropecuária. O novo campus possui dois laboratórios de informática e uma sala que está sendo transformada em laboratório multiuso. Também há biblioteca e salas administrativas.

Cursos habilitam alunos para uma profissão

O diferencial do ensino técnico, segundo os diretores Jesus e Letícia, é a habilitação do estudante para o desenvolvimento de uma profissão. Trata-se de uma formação intermediária entre o ensino médio e a graduação. “O grande destaque do Instituto Federal e os seus cursos técnicos é a qualidade dos professores que trabalham no campus, tendo um quadro docente formado por mestres e doutores em sua maioria”, comentou Letícia. A diretora acrescentou que há toda uma estrutura multidisciplinar para o atendimento dos alunos, com pedagogo, psicológico e assistente social.

O diretor Jesus ressaltou que, no caso dos estudantes, a maioria deles se dá bem na carreira após os cursos. “Temos como diferencial o conteúdo trabalhado por muito tempo, focando sempre a relação teoria e prática, que está muito presente. Além disso, muitos projetos de pesquisa são incentivados”, comentou Jesus.
Como benefícios, alguns estudantes ainda podem ter assistência estudantil, recebendo recursos. As aulas são totalmente gratuitas. A única taxa é a de inscrição para o processo seletivo, mas, no caso de estudantes que comprovarem a impossibilidade do seu pagamento, ela também é isenta. Os livros didáticos necessários são oferecidas pela instituição.

A demanda mais urgente do campus Rolante, segundo o diretor Jesus, é a conquista de transporte escolar. De acordo com ele, é preciso união do poder público regional, uma vez que a unidade não atenderá apenas alunos rolantenses. Por isso, uma reunião já foi realizada com a Associação de Municípios do Vale do Paranhana (Ampara) e o diretor espera contar com o apoio das prefeituras na implementação de uma linha de transporte coletivo que propicie aos estudantes ter acesso mais fácil à unidade. Atualmente, o campus já tem alunos de Santo Antônio da Patrulha, Taquara e Parobé, mas a maioria dos usuários ainda é proveniente de Rolante.