Inverno pede meias, com seu respectivo par, de preferência, o que nem sempre é algo simples, por mais incrível que isso possa parecer. Faça o teste. Abra sua gaveta agora e tente encontrar um par decente de meias, iguais, obviamente. Eu nunca consigo.
Não se trata de desorganização, minha gente! Simplesmente as meias se divorciam sozinhas de seus pares e, ainda que algumas desapareçam misteriosamente no famoso “triângulo das bermudas” que as leva para sempre para a terra do nunca, sobram vários outros pares aleatórios, impossíveis de conjugar e combinar com o que tem ali.
Quem nunca saiu com uma meia azul no pé direito e outra verde no esquerdo? Menos mal que o sapato esconde a distração ou a falta de opção na hora da pressa. Até aí tudo bem, desde que você não precise tirar os sapatos.
Mas, por uma conspiração do cosmos, do destino ou pela lógica implacável da Lei de Murphy, pode apostar que você precisará tirar os sapatos justamente neste dia por um motivo banal que revelará o seu segredo para a humanidade. Meias de cores diferentes e, o pior, uma delas com um furo no dedão.
Viu só? Quem disse que você tem o controle de tudo na sua vida, heim? Nem as meias você sabe combinar e agora ainda passa por essa vergonha publicamente, com o dedão exposto para fora do buraco da meia puída, e as unhas sem ver um esmalte desde o verão passado.
Tem coisa pior, claro, como sair para experimentar roupas numa loja e esquecer que por baixo você está bem à vontade com aquela calcinha surrada e um sutiã já bem desbotado embaixo do braço, que você vestiu também às pressas, pela manhã, depois de enforcar o banho com medo de perder a carona para o trabalho.
Como não tem como prever todos os percalços que possam surgir no dia a dia, o jeito é ficar atento a alguns detalhes, na medida do possível. Sei de mulheres que não depilam as pernas e as axilas no inverno por pura preguiça e outras porque não têm esse hábito por opção pessoal. Correm o risco, já avisei!
Na dúvida, melhor manter tudo em dia para não passar por constrangimentos piores, como colocar uma máscara antirrugas de pepino no rosto, achando que ninguém vai bater na tua porta às dez da noite, e ser surpreendida pelo síndico que anuncia um vazamento no seu apartamento.
Acontece, inclusive, quando você está com aquele pijama velho atirada no sofá, em pleno sábado à tarde chuvoso, tomando uma taça de vinho ao som de David Bowie, e aquele vizinho charmoso que mora ao lado do seu apartamento resolve tocar a campainha para saber se faltou água no prédio, flagrando você naquela situação aterradora, vestindo os “trapos” escolhidos a dedo para relaxar no final de semana.
Enfim, coisas da vida que parecem até engraçadas, escrevendo assim, despretensiosamente, mas que nos deixam em maus lençóis, às vezes.
Pensando bem, melhor mesmo é não levar tudo isso muito a sério e aproveitar para rir dessas situações inusitadas, de preferência jogada no sofá com aquele pijama velho, mesmo, que nem eu e nem você, tenho certeza, abrem mão.
Na convivência amorosa de quem sabe estar em paz consigo mesmo, melhor optar pelo conforto do que pelo excesso na aparência, só não esqueça de retirar a máscara de pepino antes de dormir.


