Do meu tuíter @Plinio_Zingano – Sabe aquelas pessoas “metidas a besta”? Pois a única incongruência é o “metidas”. O resto está certinho!
Quando falamos sobre ideologias, lembramos o viés político do assunto. Porém esse é, apenas, um dos aspectos possíveis de serem tratados. Numa das definições do dicionário Houaiss, por exemplo, lemos: “conjunto de convicções filosóficas, sociais, políticas etc. de um indivíduo ou grupo de indivíduos”. Essas acepções podem ser tão variadas que a sua própria aceitação já define um caráter ideológico. Elas mostram cada um de nós fixados em um pequeno nicho encravado num gigantesco painel de opções hierarquizadas. Mas não excludentes. Ou seja, nossa colocação particular na grande árvore ideológica não determina, em definitivo, nosso perfil. Existem os inter-relacionamentos, criando novas possibilidades de classificações. Estabelecer a quantidade dessas possibilidades é tarefa da Matemática.
Você gosta de refrigerantes? No caso positivo, prefere de qual tipo? Pense nas alternativas existentes nos fornecedores de sua região de vivência e contabilize a quantidade de alternativas. Estabelecido um tipo específico – refrigerante de cola, digamos – em detrimento dos de guaraná e dos de outras origens, qual a sua marca escolhida? Sim, a marca é importante, pois ela também dá a sua localização no mapa ideológico. Estou falando nisto depois de ler mais um relatório “científico”, informando quão perigosa é a ingestão de um desses líquidos, não importando o tipo nem a marca. Basta a classificação genérica “refrigerante” para o produto ser tratado como uma ameaça à existência do homem.
Onde quero chegar com estas considerações sobre ideologias e refrigerantes, coisas, aparentemente, sem conexão? Quero deixar patente que há, sim, uma conexão. Quando alguém tenta convencer pessoa ou grupo de pessoas a respeito de algo, está, no fundo, tentando tornar hegemônica sua própria ideologia, quer vender seu peixe. E cada ideologia contra-ataca, veiculando ideias favoráveis a si mesma ou sabotando qualidades de seus concorrentes. É o caso do vinho, tentando passar a ideia de ser benéfico ao coração, tanto física quanto emocionalmente.
O resultado dos discursos está ligado a um componente fundamental para ser aplicado. Depende do crédito conseguido junto ao público-alvo. E, ainda assim, não tem o dom de transformar besteiras em verdades. Será, apenas, crença, dependendo de fé (nada mais que outra ideologia).
Aqui, chego ao meu alvo! Na política, fico bastante incomodado quando ouço alguém me chamando de “analfabeto político” só porque não acredito em suas palavras. Quem agride assim está se achando o escolhido dos céus e criando barreiras intransponíveis entre nós. Grosserias não conquistam adeptos ideológicos. Pelo contrário, aprofundam as diferenças.


