
A decisão do corpo clínico do Hospital Bom Jesus, de Taquara, de suspender as atividades no ambulatório, cirurgias e internações eletivas a partir da próxima segunda-feira foi comunicada à direção da casa de saúde na manhã desta sexta-feira. Em ofício assinado pelo diretor clínico do Hospital, Richard dos Santos Pereira, os médicos anunciam a interrupção do atendimento a partir de 7 horas. Continuarão em funcionamento apenas os serviços de urgência e emergência do hospital.
No texto, o diretor clínico argumenta que, diante da constante falta de materiais básicos para procedimentos, medicamentos sem estoque por falta de pagamento dos fornecedores, grave carência nas escalas de médicos e pela ausência de pagamento dos honorários médicos referentes aos trabalhos prestados desde maio de 2017, os profissionais tomaram a decisão pela paralisação.
O ofício é encerrado informando que os profissionais permanecem dispostos e na expectativa de que a situação atual seja superada para dar continuidade ao trabalho que exercem no Hospital Bom Jesus.
O Sindicato Médico do Rio Grande do Sul também expediu ofício, nesta sexta-feira, encaminhado ao Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers), à direção técnica do Hospital Bom Jesus, ao Ministério Público de Taquara e ao Conselho Municipal de Saúde. Assinado pelo advogado da entidade, Eduardo Braga Medeiros, o documento, comunica a decisão de suspensão dos serviços por tempo indeterminado a partir de segunda-feira, manifestando a falta de estrutura (materiais e medicamentos) para o exercício da medicina. O Simers manifestou, ainda, repúdio ao atraso no pagamento das remunerações dos médicos.
Nesta semana, a direção do Hospital Bom Jesus também se manifestou a respeito da decisão dos médicos. Contestou as falhas apontadas, dizendo que eventuais faltas de medicamentos e materiais, quando ocorrem, são pontuais. Disse, ainda, que está fazendo o máximo possível para manter os serviços à disposição da comunidade, ressaltando que alguns profissionais continuarão atendendo. Os diretores administrativo, Heleno Severo, e técnico, Carlos Henrique Bauermann, afirmam que os serviços de urgência e emergência, pediatria/obstetrícia e UTI continuarão em funcionamento. A preocupação é como será o funcionamento dos trabalhos nas cirurgias eletivas e nas consultas do ambulatório.


