
Os médicos do Hospital Bom Jesus, em Taquara, suspenderam os atendimentos eletivos e ambulatoriais nesta segunda-feira, divulgou o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers). A medida ocorre devido à falta de pagamento das remunerações dos profissionais, atrasadas há quatro meses, à falta de insumos e ao desabastecimento constante da farmácia, entre outros problemas existentes. Somente casos de urgência e emergência são atendidos normalmente.
O Simers afirma que a falta de condições de trabalho é uma constante na atual gestão do hospital, comandada pelo Instituto de Saúde e Educação Vida (ISEV) desde abril de 2016. Em texto divulgado, o Sindicato afirma que foi conferir de perto a situação durante a tarde desta terça-feira e constatou que, desde o início da paralisação, o hospital está sem o diretor técnico no local. Além disso, a farmacêutica responsável pediu afastamento da instituição por conta das más condições de trabalho. Os representantes do SIMERS destacam que há cerca de 60 dias foi registrada pelo Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (CREMERS) uma série de irregularidades como a falta de materiais e medicamentos básicos para o atendimento do dia a dia.
“A ausência de condições mínimas expõe não só o médico, mas também a população que busca o hospital. A definição do corpo clínico de suspender os atendimentos eletivos é justamente uma forma de não se mostrar conivente com essa realidade e de lutar por melhorias, por mais dignidade. Não podemos permitir que essa situação permaneça”, defende a diretora do SIMERS, Gisele Lobato, lembrando que os médicos questionam a falta de transparência na aplicação dos quase R$ 2 milhões recebidos mensalmente pelo Instituto para fazer a gestão do hospital.
CONTRAPONTO (atualizada quarta-feira, dia 13, às 15 horas)
A direção do Hospital Bom Jesus nega as informações divulgadas pelo Simers. O diretor-técnico Carlos Henrique Bauermann afirma que não estava dentro do hospital na tarde desta terça-feira, mas se encontrava na direção do Instituto Vida tratando de questões relacionadas à casa de saúde. “Não preciso ficar o tempo todo dentro do hospital para resolver questões do Bom Jesus”, disse, acrescentando que o Simers estava sabendo disso, pois manteve contato com representantes do órgão. Quanto à saída da farmacêutica, a profissional, segundo Carlos, teria pedido demissão por questão salarial, devido a uma proposta melhor que recebeu. A direção do Instituto Vida está procurando uma funcionária para reposição profissional.
Sobre o funcionamento do Hospital, Bauermann disse que a urgência e a emergência estão funcionando, assim como os setores da Unidade de Terapia Intensiva (UTI), nefrologia e saúde mental. As cirurgias eletivas tiveram interrupções, assim como o setor de ambulatório, que teve paradas. “Mas, nesta terça-feira, o ambulatório funcionou, ou seja, a paralisação não é total”, afirma Bauermann. A direção do Instituto Vida acompanha, nesta quarta-feira, a audiência de conciliação no processo movido pelo Ministério Público que envolve o Hospital de Taquara.


