Gislaine Silveira
Esta postagem foi publicada em 16 de outubro de 2017 e está arquivada em Gislaine Silveira.

O boom da gastronomia

De um mero ato de saciar a fome a um ritual de prazer degustativo e, muitas vezes, também visual, a culinária tem evoluído e elevado-se a técnicas de mestres desse ramo que apresentam seus pratos, obras-de-arte em forma de comida, tentando criar ali uma alquimia dos sabores, a cura de todos os males, através dos alimentos.

A culinária, como a linguística, a arte, etc., evolui de acordo com as necessidades e formas de expressão. Na França, na idade média, por exemplo, as refeições eram servidas todas juntas, e isso era chamado de service en confusion. Realmente, uma confusão! Basicamente, as três refeições que hoje temos eram, então, uma só, com todos os alimentos na mesa, e comiam apenas com a mão. Diríamos que era meio selvagem, não? Aos poucos, começaram a agregar finesse à mesa, com artigos sofisticados, cores, talheres, e a famosa etiqueta francesa.

Carême, Montagne, Escoffier, Bocuse, Lenôtre foram alguns chefs franceses que elevaram a culinária para o que é arte, hoje. Desenhavam seus pratos antes de elaborá-los, faziam construções arquitetônicas em suas sobremesas e trabalhavam com cores como os mestres renascentistas.
E a evolução ou transformação não acontece apenas no modo de comer, mas também nos próprios alimentos. Muitos alimentos já foram considerados apenas comida para a plebe, como são os casos do escargot, pernas de rã, caviar, lagosta e até a nossa deliciosa feijoada, mas que hoje alcançaram seu status de prato principal em restaurantes com estrelas Michelin.

E a gastronomia, cuja origem vem do Grego GASTRÓS, “estômago”, mais NOMÓS, “lei, normas”, vem quebrando normas, e conquistando cada vez mais adeptos da boa mesa. Hoje, no Brasil, fala-se sobre comida, tira-se fotos de comida, paga-se caro para aprender técnicas culinárias em escolas renomadas, fazem filas que dão a volta na quadra para provar uma invenção culinária. Em NYC, entram em filas de espera de um ano para poder degustar pratos famosos, em restaurantes mundo afora, etc. Exagero? Não! A busca pelo prazer, pela experiência, pela viagem do paladar, por culturas diferentes é o que nos faz querer comer bem e diversificar. Virginia Woolf, uma vez, disse: “Não se pode pensar bem, amar bem, dormir bem, quando não se jantou bem”. E qual é a tua desculpa, hoje, para não correr para a cozinha e caprichar no jantar?

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