Paralelas
Esta postagem foi publicada em 10 de novembro de 2017 e está arquivada em Paralelas.

No tronco

Alguém me explica como uma pessoa pode viver e sobreviver com um salário de R$ 33, 7 mil? Vai comer o quê? Vestir trapos? Andar descalça? Como ousam pagar com uma miséria dessas a um ser humano trabalhador, digno de todos os seus direitos como a ministra Luislinda Valois, dos Direitos Humanos, gente como a gente?

Essa coitada, desembargadora já aposentada, exigiu o básico para sua sobrevivência, ao tentar acumular seu salário de aposentada com o de ministra, que chegaria, então, ao “justo” e “merecido” salário de R$ 61,4 mil. Isto sim! O mínimo que uma pessoa pode receber para viver razoavelmente bem neste país das maravilhas.

Gente! A escravidão já acabou e esta ilustre senhora denuncia e argumenta em 207 páginas a situação dramática que está passando, comparando-a ao trabalho escravo, rejeitado, todos sabem, pela legislação brasileira desde 1888 com a Lei da Abolição da Escravatura.
Como pode um retrocesso desses, em tempos de inclusão, igualdade, solidariedade, diversidade e todas as demais conquistas e benefícios acumulados por nós, brasileiros, até agora? Nós somos testemunhas de que é só trabalhando árdua e honestamente que se consegue enriquecer no Brasil; que só um salário decente, como este, reivindicado pela ministra, nos garantirá a cesta básica, o mínimo que espera dos nossos governantes, sem contar saúde, educação, segurança e tudo o mais, o que obviamente é obrigação do Estado e dos nossos empresários, sempre preocupados e comprometidos com o bem-estar completo de seus cidadãos.

Alguém pode libertar essa “linda” senhora da senzala? Retirar-lhe os grilhões que lhe acorrentam o corpo e a alma? Que pouca vergonha! O Brasil não tem jeito, mesmo! Francamente, quem se atreve a sair da cama três vezes por semana, por menos de R$ 30 mil?

Salariozinho mixuruca esse. Não vale nada, não dá nem para comprar um carrinho popular, desses sem direção hidráulica, nem vidro elétrico, nem ar condicionado, nem nada. Nem uma viagenzinha até Paris, que barbaridade!

É preciso que alguém explique que os ministros e essa gente toda só quer o básico para viver com respeito e dignidade. É o mínimo que se espera das pessoas que trabalham pelo desenvolvimento deste país. Ministros, deputados e senadores, principalmente. Estes, sim, “dão o couro” para que nós também possamos chegar lá um dia, com as malas cheias do dinheiro que nos garantirá o sustento, uma conta na Suíça, enfim, uma aposentadoria mínima para não morrermos trabalhando sem direito algum, sem garantias, sem negociação, com este salário de fome de R$ 30 mil, que não dá nem para comentar, porque começa a dar uma náusea, uma ânsia, um desalento, uma desesperança, um pavor, uma revolta. Melhor nem pensar! Deus nos livre!

Escravidão nunca mais, por favor!

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