Rafael Tourinho Raymundo
Esta postagem foi publicada em 16 de novembro de 2017 e está arquivada em Rafael Tourinho Raymundo.

Na dúvida, não compartilhe

Criança tem doença rara e precisa de tratamento no exterior. A Microsoft doará dez centavos para cada compartilhamento deste texto. Vamos ajudar! Porém, seja rápido. Uma tempestade solar afetará os satélites e o Brasil ficará sem internet pelos próximos dias. Deu na TV!
E não use o WhatsApp, pois as conversas estão sendo gravadas pelo FBI.

Mensagens assim circulam bastante pelas redes sociais. Na maioria das vezes, são falsas. É fácil perceber quando se trata de um boato: as informações são imprecisas e não é possível verificá-las em sites oficiais. As frases, cheias de erros de grafia, adotam um tom alarmista, apelando para a comoção e a raiva. “Não querem que você saiba disso! O mundo precisa conhecer a verdade!”

Difícil entender por que alguém inventa uma mentira. Talvez seja apenas brincadeira. Em outros casos, vontade de manchar a reputação de um desafeto. Ainda, existe a intenção de gerar tráfego para o próprio site e lucrar com banners publicitários. Foi o que fez um grupo de jovens da Macedônia, ao publicar barbaridades sobre Hillary Clinton, na última campanha à presidência dos Estados Unidos.

Resultado: Donald Trump acabou eleito, em parte, porque muita gente acreditou nos rumores contra a adversária democrata. Decerto essas pessoas compartilharam fake news não por má-fé, mas com o propósito genuíno de alertar seus compatriotas e proteger a nação de possíveis ameaças. Vejam no que deu…

Acontece algo parecido, quando um amigo ou um familiar repassa correntes duvidosas. A ideia é prestar auxílio, é evitar perigos. Pouco importa que pareça história da Carochinha. Pelo sim, pelo não, o usuário prefere espalhar a fábula entre seus contatos.
Felizmente, esse comportamento desagradável – para não dizer nocivo – tem diminuído. Pesquisa da consultoria Kantar apontou que 76% dos brasileiros entrevistados preocupam-se em identificar a fonte da notícia. O índice é maior que os números da Inglaterra, da França e dos Estados Unidos.

Fica o alerta: na dúvida, não compartilhe.

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