Temos que reconhecer o poder de mobilização da internet. Instrumento estranho até pouco tempo atrás para os militantes de gerações passadas.
Sim, pertenço a uma geração em que se mostrava a cara desde a preparação do movimento até a realização dos atos de reivindicações.
Para os nossos jovens manifestantes, o movimento deve ser apartidário, sem bandeiras de classes, plural e sem lideranças determinadas.
Isto é uma clara demonstração de descontentamento e desencantamento com os partidos políticos e principalmente com os políticos que tripudiaram usando o poder em benefício próprio e esqueceram os interesses do povo que os elegem.
A democracia, enfim, felizmente, foi retomada e praticada legitimamente pelos nossos jovens. Porém, como militante sindical penso que devemos retomar as “velhas bandeiras”, cuja luta continua atual, sem vergonha nenhuma, porque essas bandeiras lutaram e conquistaram inclusive o direito da livre expressão e manifestação. Bandeiras que lutaram contra a ditadura militar, pela volta das eleições diretas (Diretas já), pelo impeachment do Collor, pelo aumento do repasse de verbas à educação, etc…
Parabéns aos jovens que despertaram para a cidadania e democracia.
Democracia que não pode ser manchada e podada mais uma vez por grupos fascistas e oportunistas que só contribuem para interromper o seu aperfeiçoamento.
É preciso revisitar e revisar a História em nome da manutenção das conquistas sociais e democráticas.
Tânia Maria Echevarria Carniel,
professora de história e sindicalista, de Taquara


