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A Barbie do Bailão e o tecladista da Banda 10: um amor que é hit há 14 anos

A história de Francy Bandeira e Xandy Minks prova que, às vezes, tudo que o amor precisa para acontecer é de uma ligação e uma dança
Parceiros no palco e na vida (Foto: André Amaral/Rádio Taquara)

Tudo começou com uma ligação – e nem era para ela. Era outubro de 2011, período mágico em Igrejinha, e Franciele Pinto Bandeira, a Francy, então com 17 anos, trabalhava no comércio e planejava aproveitar a Oktoberfest com duas amigas. A chamada foi para uma delas. Do outro lado da linha, estava Alexandre Rodrigo Minks, o Xandy, tecladista da Banda 10. Ele e os primos tinham uma proposta quase irrecusável: um “aquece” antes do rolê germânico.

“Traz as gurias aqui pra casa, ajuda a gente a secar um barril de chope”, convidou o músico.

Francy não conhecia ninguém além das amigas, mas foi. Chegou na casa e deu de cara com música alta, ‘Ai, Se Eu Te Pego’ e ‘Tchê Tcherere Tchê Tchê’, hits da época, tocavam no volume máximo. O Xandy ela só “mirou de longe”, achou bonitinho, apesar de uma certa energia emo já datada ao estilo Restart, mas não se apegou. Até que, mais tarde, no auge da noite, ele reapareceu. Aí sentiu que rolou algo diferente.

No meio do fervo típico de Oktober, foi ela quem tirou do bolso dez tíquetes de chope. Os guris arregalaram os olhos. “Meu Deus, essa guria é rica”, pensaram. A brincadeira virou aposta: quem ia ter coragem de chegar nela? Xandy fez a frente, tirou Francy pra dançar e pediu um beijo. Ganhou.

Na época, Francy nem imaginava que se tornaria cantora. E Xandy, embora já músico, não revelou de cara a rotina de bailes e estrada. Quando ela soube, veio o susto: “Putz, e agora? Já tava me apegando”. Mas o romance seguiu. Durante dois anos, ela com a rotina de trabalho e ele com os shows. Até que o amor entrou no ônibus da banda.

Francy começou a acompanhar os ensaios e, de quebra, levava a câmera para fotografar os eventos. Foi ali, nos bastidores, que Xandy descobriu que a namorada também sabia cantar. A explosão de “Show das Poderosas”, da Anitta, abriu espaço para a estreia dela no palco. Era para ser só uma participação. Mas não demorou e o público começou a pedir bis. Ela, que cresceu ouvindo Nirvana e tinha alma roqueira, virou fenômeno no bailão.

“Na época, não tinha voz feminina no repertório. Aí entrou a Fran. Foi um diferencial”, lembra Xandy. Ainda insegura com a própria voz, Francy enfrentou o palco e os olhares de desconfiança. “Quem é essa guria?”, diziam. Mas ele bancou: “Eu apostei nela”. E acertou.

As oktoberfests do casal já foram assim… (Fotos: arquivo pessoal)

Hoje, o casal segue firme, na vida e na música. Francy é a “Barbie do Bailão”. Xandy comanda a Banda 10. Juntos, compartilham a estrada, o palco, a rotina e o amor que começou despretensiosamente, com um convite pra secar o barril antes da festa.

“Ninguém acreditava que ia dar certo. Mas deu”, sorriem. Às vezes, tudo que o amor precisa é de um chope, uma dança e um pouco de coragem.

Um amor com trilha sonora própria

Enquanto muitos casais trocam juras de amor no Dia dos Namorados, Xandy e Francy falam de sentimento com microfone na mão e palco nos pés. Mas nem sempre foi tão simples assim. Depois de quase se separarem na chamada “crise dos sete anos”, eles transformaram as turbulências em música.

A canção ‘Marte ou Saturno’, que está no forno e deve sair neste ano, fala de um “amor de outro mundo”, com refrão que menciona viver juntos em Marte ou Saturno, nasceu como uma aposta fora da caixa: um romantismo cósmico, romântico e vulnerável, bem distante do repertório animado de bailão que costuma dominar os shows da dupla.

“’Se no futuro a humanidade tiver que viver em Marte ou Saturno, a gente vai estar junto’, diz a letra. Ou seja, não importa o que aconteça, a gente vai ficar junto”, conta Francy.

E parece ser um amor do outro mundo mesmo, considerando que o casal já passou por muita coisa.

“Quando estávamos há sete anos juntos, foi um período bem turbulento, a gente nem sabia se se abraçava ou se se largava no soco”, conta Francy, rindo da memória de um momento que quase terminou em fim, mas acabou virando começo.

Xandy planejava pedi-la em casamento, mas Francy descobriu a aliança antes da hora e recusou o pedido: “Disse que não ia casar com ele daquele jeito. A gente precisava se entender antes de qualquer coisa”.

O casal se afastou por uma semana. Reencontraram-se com mais clareza, decidiram alinhar o relacionamento e, dois anos depois, veio a filha, como um laço invisível, capaz de unir o que já estava forte, mas precisava de sentido. “Ela veio durante o namoro, e parece que foi pra unir ainda mais a gente”, diz Francy.

… hoje são assim

O casamento veio em fevereiro deste ano, com direito a festa, live com mais de 2 milhões de visualizações no Instagram e duas bandas, incluindo uma de rock, gênero que faz muito a cabeça de Francy.

“Quem diria que a princesa do bailão gosta de Guns N’ Roses?”, brinca ela.

Os dois bem poderiam ilustrar a metáfora de que, se a vida é um bailão, que seja dançado com quem segura tua mão quando o som falha. E nesse compasso, Francy e Xandy seguem afinados, provando que algumas histórias não terminam com ponto final, mas com uma música nova começando a tocar.