
Do “Meu cinicário” – “Plantar amor” por quê? Poucos conseguem provar os frutos desse lindo trabalho. O terreno é árido e nem todos têm mão para agricultura.
A CENSURA
Um fato político-jornalístico acontecido em nível nacional na semana passada, despertou minha atenção para o assunto lembrado pelo título deste comentário. Como tenho insistido, o dia a dia da informação gira obedecendo as vontades de um personagem básico na transmissão das notícias: o editor. Numa tentativa de comparação com a moda, o editor é quem veste a informação. Ele a recebe, teoricamente, nua – não totalmente, pois antes de chegar-lhe, já terá passado, pelo menos, por outro personagem, o repórter. Mas o editor, igual aos antigos mestres da alta-costura (nem sei se ainda existe essa categoria!), cria-lhe uma roupa apresentável, embora não, necessariamente, bonita e a põe na passarela do mundo, desfilando como verdade incontestável. Pois, repito, estava eu me preparando para a agradável tarefa de redigir o texto que você está lendo, quando me deparei com o tal “fato político-jornalístico” citado. Um caso que, dependendo do viés ideológico de quem teve acesso a ele – e poucos tiveram, pois os editores (sempre eles) deram jeito de pouco divulgar – foi transformado de tsunâmi a marolinha no oceano de interpretações possíveis. O jornalista Glenn Greenwald, fundador do saite “The Intercept Brasil”, onde se pratica “jornalismo destemido e sem amarras”, segundo a autopropaganda, demitiu-se do mesmo. Ele foi amarrado pela censura de seus destemidos e desamarrados companheiros. Seguindo as declarações do próprio, a censura evitava prejudicar o desempenho do candidato Joe Biden nas eleições norte-americanas, embora os fatos noticiados estivessem longe de ser fake news. Bem, descartando a pretensão do saite em questão de interferir naquele pleito, conseguimos entender que censura atinge todo o mundo, sem ser fim em si mesma. Pode ser, e é, usada de maneira seletiva, com objetivos bem definidos, nem sempre muito louváveis. Feito este preâmbulo, chego ao tema da minha crônica.
Todos os nossos atos são oriundos de algum tipo de censura, mesmo não tendo nenhum escopo político. Desde criancinhas vivemos dentro desse mundo muito pessoal de pode/não pode imposto pela própria sociedade. Em tese, este é o processo de educação. Porém, nem tudo censurado ao longo de nossa vida, será entendido por todos como algo definitivamente proibido. Aí mora o perigo!
Resumindo, mesmo sem querer, estamos num mato sem cachorro! E tem muito lobo e hiena nesse mato!
Por Plínio Dias Zíngano
Professor, de Taquara
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