Cultura e Lazer

A corrente natalina da Família Melo em Taquara

Mutirão distribui doces, material escolar e outros itens para famílias de diversos bairros.
Neste ano, 40 voluntários ajudaram a montar os kits de comida, materiais escolares e doces. Divulgação

A semente de solidariedade plantada há 21 anos por Eclair Melo vingou, cresceu e deu frutos. A ação de final de ano voltada a beneficiar crianças carentes no dia de Natal hoje é seguida pelos filhos Eclair Melo Filho, 30 anos, Bruna Melo Carvalho e Kátia Melo, 26 anos, e esposa Rosane de Oliveira Melo, 52 anos, além de muitos amigos.
Tudo começou no Natal de 1996. Na época, Eclair tinha uma fábrica de móveis e, certo dia, soube que o depósito da loja de um cliente havia incendiado, danificando a embalagem de alguns brinquedos. Sugeriu, então, que os produtos fossem doados para crianças carentes, já que não poderiam ser comercializados. O empresário convidou André Lanz, funcionário naquele período, para ajudar na distribuição dos presentes, juntamente com pacotes de balas montados para a ocasião.

Enquanto Eclair pilotava a Belina da família, André, vestido de Papai Noel, distribuía os presentes pelo porta-malas do carro, auxiliado por Eclair Filho, Bruna e Kátia, sentados no banco de trás. Foram cerca de 150 cestas doadas. A quantia foi pouca para o número de crianças que queriam ser agraciadas. O empresário, como recorda a esposa, ficou tocado, e disse que continuaria a ação nos próximos anos, o que se concretizou.

O evento cresceu e conquistou voluntários. Em 2016, foram arrecadados mais de R$ 22 mil pelo empenho e organização de um grupo criado há três anos no WhatsApp. Com o valor foi possível distribuir mais de 1,2 mil conjuntos de materiais escolares, 120 cestas básicas de alimentos, 1,2 mil kits de guloseimas e cinco mil picolés para crianças carentes dos bairros Mundo Novo, Campestre, Medianeira, Tucanos, Aimoré e Empresa. O mutirão para montar os pacotes reuniu mais de 40 pessoas. A carreata com carro de som, caminhão e automóveis movimentou as ruas.

Eclair foi diagnosticado com câncer de próstata em 2006. Ainda assim, não deixou de fazer a boa ação de todos os finais de ano. Em 2008, a pedido dele, os familiares realizaram duas festas extras, uma na Páscoa e outra no Dia das Mães. Os eventos solidários, com atividades gratuitas à população, tiveram o envolvimento e a criatividade de Eclair, que, mesmo debilitado pela doença, enfrentando as quimioterapias, ajudou nos preparativos e esteve presente nas confraternizações. Lembrado pela origem humilde e disposição para fazer o bem, ele partiu no dia 28 de janeiro de 2009, aos 45 anos, deixando para familiares e amigos o legado de compaixão ao próximo.

Continuar a ação no Natal foi um desejo de Eclair atendido pela família. O filho assumiu a organização do evento, reunindo voluntários, planejando toda a execução das atividades. Kátia foi a Papai Noel a partir de 2009, contando com apoio da irmã Bruna e da mãe Rosane. Suportou o calor escaldante sob a fantasia o quanto pôde. Peregrinou com carreatas que duravam quase cinco horas. De contrapartida, recebeu o afeto, carinho e acolhimento de crianças e adultos pela rua. “A maior recompensa é nossa. É ver o sorriso, a felicidade delas em ser lembradas. Tiramos muitas lições destas experiências”, ressalta Bruna. Até hoje, quando os pequenos os encontram na rua, abraçam e beijam, em demonstrações de gratidão espontânea.

Há três anos, a família lembra que o trabalho ganhou ajuda do casal Paulo Schneider e Andréa Marcos, que conseguiram doação de materiais escolares e valores em dinheiro e ajudavam na confecção e distribuição dos kits. Nestas mais de duas décadas de atividades, também agradecem o apoio de voluntários como André Almeida, Cassia Machado, Paola Almeida, Edson Melo, Ana Laura Benetti, Luiz Henrique Schein, Vladimir Meller, Ivete da Motta, Adriani da Motta Meller, Sabrina Meller, Rômulo Campana, Rodrigo Fagundes, Tiago Fagundes, Lia Santos, Karine Rodrigues, Leonardo Rodrigues, Daniele Kaiser, Kellen da Rosa, Naide Matias, Dario Baaklini, Denise Baaklini, Fabiano Rodrigues, Reniel Carvalho e Marcelo Braga, dentre outros que sempre se dispuseram a contribuir. O evento de 2017 acontecerá dia 24, no mesmo trajeto de outros anos, com os mesmos kits.

Os cômodos da casa da família Melo começavam a ficar abarrotados de doações a partir de setembro. Rosane lembra que, em razão do envolvimento na atividade, a decoração da residência fincava em segundo plano. “Parece que se não fizéssemos aquilo, não era Natal”, explica, ao recordar que a família nunca planejou viagem para a data, reservada para a solidariedade.