Passado mais de um ano, volto a ocupar este importante espaço para tratar do mesmo assunto: as crueldades contra os animais. É difícil se calar diante de tantos atos desumanos dos quais ficamos sabendo pela imprensa ou por testemunho de pessoas conhecidas.
Neste meio tempo, ouvimos falar de cães espancados e queimados vivos, amarrados com fitas nas patas e focinho para morrerem de inanição, enrolados em colchões e incinerados vivos. Enfim, atos miseráveis de seres humanos que nos causam asco e que nem podemos mandar para o inferno, porque certamente o próprio diabo os renegaria.
Como creio na justiça de Deus, terei compaixão desses seres quando essa mesma justiça se manifestar. A única coisa que podemos fazer diante de nossas limitações para enfrentar tamanha desumanidade é clamar pela justiça de Deus, criador de todas as criaturas. Conforme lemos no Livro de Gênesis, Deus disse: “que a terra se encha de criaturas vivas”. Então, Ele criou os animais da terra, o gado e tudo que rasteja, para se reproduzir; e Deus viu que isso era bom.
Uma grande conquista de humanização social foi a proibição de os circos usarem animais em seus espetáculos, pois ninguém imaginava as atrocidades cometidas em seus bastidores, como extração, nua e crua, de unhas e dentes de felinos e ursos, cabos de aço atados às patas de filhotes de elefantes até ficarem em carne viva e outros atos que devem deixar o próprio demônio estarrecido.
O simples fato de acorrentar um animal e expô-lo à chuva ou ao sol torrencial, sem alimento e sem água, já chega para se repugnar a atitude de certos humanos. Com grande espírito de covardia, famílias soltam animais nas rodovias a fim de serem atropelados, alegando “curtirem” uns dias de férias no litoral. Nada contra tirarem férias, mas poderiam resolver a questão de uma maneira mais digna.
Novamente chamo a atenção para a falta de sensibilidade para com os cavalos, magros, esfomeados e sequiosos, carregando enormes cargas sob sol escaldante, com os arreios a arrancar-lhes o couro da carne. A maioria esquece que aquele animal é que lhes dá a sobrevivência e o pão de cada dia.
Penso que as leis deveriam ser mais duras com os atos covardes contra seres indefesos, apesar de termos algumas que protegem os animais (LEI COMPLEMENTAR N. 11, DE 17/12/2002. Artigo 6º – É proibido abandonar animais em qualquer área pública ou privada. Artigo 7º – É de responsabilidade dos proprietários a manutenção dos animais em perfeitas condições de alojamento, alimentação, saúde e bem-estar, seja em perímetro urbano ou rural. PENA PREVISTA: 3 MESES A UM ANO DE PRISÃO E MULTA). Raramente, porém, vemos essas leis serem aplicadas e, certamente, muitos as desconhecem.
Graças a Deus, muitas são as pessoas solidárias com os animais, que veem neles companheiros que habitam a mesma casa concedida pelo Criador e aprendem com eles a serem mais sensíveis e a terem espírito de gratidão. Seria algo revolucionário e exemplar, se, em nosso município, as autoridades começassem um trabalho de conscientização e atuação junto a essa problemática desumana. Muitos poderiam ser os projetos nesse sentido, em parceira com ONGs, escolas, igrejas e clínicas veterinárias, numa tentativa de humanizar a sociedade e servir de exemplo para todas as outras comunidades. Como seria maravilhoso, se todas as pessoas fossem revestidas de um sentimento franciscano e pudessem se referir aos seres da natureza como seus irmãos e tivessem como lema uma canção inspirada em seu exemplo: “Irmão vento, irmão sol, irmã lua. Irmão lobo, tu és meu irmão. Rouxinol, sabiá, criaturas de Deus, somos obras de suas mãos”.
Paulo Cesar Rosa da Conceição
Professor de História
Esta postagem foi publicada em 25 de fevereiro de 2011 e está arquivada em Caixa Postal 59.


