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Esta postagem foi publicada em 19 de julho de 2021 e está arquivada em Penso, logo insisto.

A Grande Inverdade, por Plínio Dias Zíngano

Do “Meu cinicário” – Vivemos tempos tão mimizentos que até a farinha de glúten já tem que vir sem glúten.

A GRANDE INVERDADE

Estamos vivendo dias turbulentos! Na verdade, a turbulência da vida é uma constante, dependendo do ângulo pelo qual ela é observada. Faça uma reflexão e tire suas conclusões bem pessoais. Dependendo de sua idade, você conseguirá isolar muitos momentos de – óbvio – turbulência e outros tantos de calmaria. Note: ninguém navega sempre em mar calmo. Segundo a História, o Brasil é resultado da calmaria! Feita esta introdução, siga-me num caminho que, penso, nos dias atuais, é mar revolto. Vou discorrer, como tenho feito tantas vezes, sobre a imprensa (claro, como já tratamos aqui, a informação jornalística como um todo – não, necessariamente, e cada vez menos, “impressa”).

Você, ainda dependendo da sua idade, já terá alguma vez, notado nos veículos de informação, impressos, a frase “textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da XXXX” (XXX é o nome do jornal ou revista). Pois é, não consegui resgatar a fonte dessa inverdade. Talvez, admito, por pura incompetência de pesquisador, o fato permanece: desconheço a fonte. Mas a frase continua a ser usada e a inverdade também! Não digo ser uma mentira. Apenas, não é verdade.

Por que faço uma afirmação deste calibre, indo, frontalmente, de encontro ao grande cânone do jornalismo, a “informação isenta”? Sigam meu raciocínio! Um jornal, uma estação de rádio, uma emissora de televisãoe agora, modernamente, um blogue divulgam notícias, informações. Por qual razão, minimamente, humana, divulgariam essas informações se elas fossem contrárias às crenças da empresa dona do canal (jornal, rádio, televisão, blogue)? Existe aquele princípio legal preconizando ninguém ser obrigado a produzir prova contra si. Pois é, o princípio é levado bem ao pé da letra numa situação dessas. Porém, quem estiver livre de produzir provas contra si, bem poderia ajudar a produzi-las contra seus desinteresses, não é? Estamos vivendo, isto sim, turbulências jornalísticas.

Joseph Pulitzer (1847–1911) tem seu nome ligado a um importante prêmio do jornalismo norte-americano e, quiçá, mundial, o Prêmio Pulitzer, desde 1917. Ele, que chegou a ser  dono de vários jornais, escreveu: “Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma”.             Esqueça os aspectos cavalheirescos e românticos do jornalismo. Lembre-se, mesmo nas ditaduras, a notícia publicada é produzida por jornalistas. A informação, dependendo de como for transmitida, será, sempre, nitroglicerina pura. Certamente, Pulitzer conhecia a sua turma!

Por Plínio Dias Zíngano
Professor, de Taquara
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