
A Escola Estadual de Ensino Fundamental Rodolfo von Ihering está completando 100 anos de história em Taquara (veja mais detalhes nesta matéria). Uma das características marcantes do educandário é o seu imponente prédio situado na esquina das ruas General Frota e Pinheiro Machado, no Centro. O imóvel histórico de dois andares possui localização privilegiada, ao lado da Praça da Bandeira e próximo à antiga estação rodoviária de Taquara, atualmente ponto principal dos ônibus circulares do município.

O prédio foi construído na década de 1930, tendo como engenheiro responsável o construtor João Batista Pianco, que entregou oficialmente o imóvel à comunidade em 8 de junho de 1936. A construção possui fachada assimétrica, com destaque para a entrada principal, com a presença de duas colunas romanas dando sustentação ao telhado que cobre a porta de entrada. Conforme material histórico da escola, estes detalhes remetem à influência do positivismo na arquitetura do Rio Grande do Sul no período da construção do prédio.
Na fachada, há a inscrição com o nome da escola. Ainda na fachada original, a escola possuía, escrita em latim, a seguinte frase: “Labor Omnia Vincit – O trabalho tudo vence”, que foi retirada em 1941. O prédio não sofreu alterações significativas desde então, mantendo sua originalidade e apresentando, ainda, um bom estado de conservação.
E QUEM FOI RODOLFO VON IHERING
A homenagem que deu nome à escola foi prestada a Rodolpho Theodoro Gaspar Wilhelm von Ihering (foto), que nasceu em Taquara do Mundo Novo, atual município de Taquara, em 17 de julho de 1883. Passou a maior parte de sua infância, até os oito anos, em uma ilha no Rio Camaquã, no atual município de Camaquã. Desde muito cedo, demonstrava aptidão para os estudos das Ciências Naturais, tendo como incentivador e orientador o seu pai, Hermann von Ihering, nascido na Alemanha e que veio para o Brasil em 1880 para assumir o cargo de diretor da Colônia Alemã do Mundo Novo em Taquara.
Rodolfo von Ihering permaneceu no Rio Grande do Sul até 1891, quando mudou-se para São Paulo, com a família. No novo estado, cursou o ginásio e, em 1901, obteve o título de Bacharel em Ciências e Letras. A partir de 1902, iniciou seus trabalhos em zoologia, juntamente com seu pai, no Museu Paulista. Em 1903, 1904 e 1911, publicou sete trabalhos sobre a biologia e a sistemática das vespas sociais e abelhas solitárias. Em 1930, traduziu uma obra do pai sobre as abelhas melíferas. Em 1905 começou a interessar-se pela sistemática dos peixes, inicialmente com cascudos e depois com outras espécies, alternando com trabalhos sobre insetos, aves, cobras, fósseis, escorpiões e aranhas até 1917, quando se demitiu do cargo que ocupava no museu, em solidariedade ao pai, afastado da direção do Museu Paulista por ser alemão de nascimento.
Em agosto de 1936, Rodolfo Von Ihering foi aos estados Unidos representando a Comissão Técnica de Piscicultura no Congresso de Ictiologia e Herpetologia, em Ann Arbor. Participou também do 66º congresso da “American Fisheries Society”, em Michigan. Visitou uma criação de trutas, o “Bureau of Fisheries” e o “Smithsonian Institution” ambos em Washington, além de museus e laboratórios de Nova York e Filadélfia, mantendo contato com os mais renomados ictiologistas daquele país. Nos Estados Unidos teve a oportunidade de divulgar o método da hipofisação, tendo publicado um artigo na revista “The Progressive Fish Culturist”. Esse método foi prontamente adotado tanto nos Estados Unidos quanto na Rússia, e em seguida por diversos países do mundo, assegurando ao método brasileiro da hipofisação, a maior atenção por parte dos piscicultores norte-americanos, dadas as amplas oportunidades e as facilidades que estes dispunham em seus laboratórios.
Foram 119 trabalhos científicos, 18 livros e folhetos de divulgação, 9 léxicos de zoologia, 4 biografias, 1 tradução e 166 artigos de divulgação. Nos trabalhos de Rodolfo Von Ihering que não dizem respeito exclusivamente à sistemática, sempre manifestou sua preocupação com a ecologia, ou seja, a relação existente, entre os animais e seu meio ambiente, tendo suas observações e análises, elucidado muitas questões de biologia. Como zoólogo Rodolfo Von Ihering catalogou inúmeras espécies de animais entre insetos e vertebrados. Enquanto estava à frente da Comissão Técnica de Piscicultura, muitas espécies novas de animais coletadas por ele e seus colaboradores foram descritas por diversos pesquisadores, contribuindo para o conhecimento da fauna nordestina. Em 1933 foi inaugurado o Pavilhão Dr. Rodolfo Von Ihering no Museu Paraense Emílio Goeldi, na presença de seu patrono, sua esposa Isabel e sua filha Dora, além de vários de seus seguidores. Rodolfo Von Ihering faleceu precocemente aos 56 anos, em 15 de setembro de 1939, vítima de uma angina pectoris, deixando para a posteridade sua obra imortal.
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