
Do “Meu cinicário” – Democracia no comunismo é o mesmo que livre arbítrio na religião. Você pode tomar suas decisões, mas sabe que o futuro já está traçado.
A medida das coisas
Protágoras, tendo vivido de 490 a 415 a.C., cunhou a frase “O homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são”. Ele faz parte de um grupo de pensadores desconsiderados como filósofos, embora seus pensamentos tivessem toda a consistência filosófica. Foram os sofistas, palavra entrando para os idiomas como designativa de propagadores de falsas ideias. Esses homens percorriam as cidades dando aulas de filosofia e, horror dos horrores, cobravam por suas aulas – pelo jeito, ser professor já era uma função malvista mesmo na Grécia Antiga. A frase em questão tornou-se muito famosa em sua maneira reduzida “o homem é a medida de todas as coisas”.
Estou fazendo esta breve menção àquele pensador por entender a permanência de sua verdade ainda nos nossos dias. Em termos bem concisos, cada um de nós apreende a realidade segundo seus próprios padrões e passa adiante suas conclusões como a digeriu. Isso significa não estar divulgando o mesmo acontecimento apreendido ou a intenção de quem originou o fato inicial. Todos conhecemos a brincadeira do telefone sem fio. A mensagem sussurrada ao primeiro de uma fila, chegará ao último completamente distorcida. Segundo um dos axiomas da comunicação, de Paul Watzlawick, psicólogo austríaco estudioso do assunto, “cada um de nós sempre constrói uma versão própria do que observa e experimenta”. E, aqui, entra em cena um novo, porém crucial, elemento. A mensagem poderá receber alterações propositais, visando a gerar novos entendimentos, quiçá contrários às intenções originais.
Assim funcionam os meios de comunicação! Tudo lido nos jornais e revistas; tudo ouvido no rádio; tudo visto na televisão; tudo passa pela compreensão e intervenção dos editores da mensagem. Atualmente, quando cada um de nós se tornou o dono e o editor de informação, via redes sociais, cabe-nos a decisão: devemos veicular determinadas mensagens?
Como Protágoras escreveu, há quase 25 séculos, nós somos a medida de todas as coisas. Não esqueçamos, porém, a existência de outras 8 bilhões de unidades de medidas no planeta Terra.
Por Plínio Dias Zíngano
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