Caixa Postal 59
Esta postagem foi publicada em 1 de março de 2013 e está arquivada em Caixa Postal 59.

A renúncia

Segundo o Dicionário de Aurélio, renunciar significa rejeitar, recusar, não aceitar, desistir de…  Em resumo, é discordar de uma situação onde o principal ator passa a ser o renunciante.
Pois, essa palavra, talvez em tempo algum foi tão divulgada como agora na recente renúncia do Bispo de Roma. E, para milhares de pessoas no mundo, causou um espanto incrível, parecendo até que o papa, com toda a sua onipotência, não poderia ser acometido por um sentimento tão comum.
Analisando as renúncias de um modo geral, observamos os seguintes exemplos:
a)    Renúncia de um casamento motivado pela discordância de comportamento, de pensamento, de um ou de ambos os cônjuges, independente do tempo anterior que conviveram em paz;
b)    Renúncia de um emprego por divergir da filosofia sugerida pela empresa ou entre colegas, mesmo que ele tenha passado um bom tempo nesse emprego;
c)    Renúncia de um cargo político por discordar das determinações do Partido, ou por achar que o povo que o elegeu não aprova mais os seus atos públicos;
d)    Renúncia de um ator ou atriz para desempenhar um papel na TV, no cinema, no teatro, etc, por discordar do texto ou do enredo o qual estão querendo que ele ou ela desempenhe;
e)    Renúncia de uma carreira profissional depois de muito tempo, porque ele ou ela descobre que está na profissão errada, e que só aceitou aquela carreira porque foi incentivado ou “forçado”  pelos seus pais;
Ora, poderíamos discorrer sobre uma infinidade de exemplos, e quase todos seriam originados por um sentimento comum: a discordância!
E não importa o tempo anterior que tenha convivido com determinada situação, importa é a sua decisão em certo momento, que ele ou ela não concordam mais em continuar aceitando o que a vida lhes está impondo. Em alguns casos extremos, o espírito está tão enfraquecido, que o levam ao suicídio. Vide o caso do presidente Getúlio Vargas.
Finalizando este comentário, não acredito que o papa tenha renunciado por achar que ele não tem mais forças físicas para comandar a Igreja. O que penso é que as forças políticas do Vaticano divergiram tanto nestes oito anos com o eminente cardeal Josef Ratzinger, que ao mesmo não restou senão a atitude corajosa de renunciar. Um ato comum de qualquer ser humano.

Jorge Bento de Souza
Professor, de Taquara

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