Pelo aspecto extraordinário do que lerás agora, não espero que acredites, mas tomes como uma bela fábula para repensar a vida, o modo como “somos humanos”, como estamos interagindo com os outros seres vivos que dividem conosco a existência. Eu estava na faculdade, para concretizar os dados, na Unisinos, uns dois anos antes de me formar, 1993, lá eu tinha uma amiga, mais velha que eu, com quem gostava de juntar as classes e fazer trabalhos juntos, aquelas coisas de faculdade. Ela era uma pessoa bem espiritualizada, católica da gema, e um dia me contou uma fascinante história. “Quando estava noiva, construíamos juntos, eu e o futuro esposo, a casa onde pretendíamos morar. Um dia, um destes inesperados e impiedosos temporais que descem sobre nossos destinos fez ruir grande parte do que já tínhamos pronto da construção.” Naquele momento, ela diz que perdeu a fé, acumulou muita raiva, muita depressão, pois eram pessoas simples que estavam investindo o que podiam no futuro. Mas não desistiram, recomeçaram. “Foi então que bateu à nossa porta um moço, um jovem empresário de uma cidade próxima, que conhecíamos apenas pela imprensa da região. Ele apresentou-se, disse ser um antigo amigo de meu falecido avô, e marcou um dia para que fôssemos a seu escritório.” O casal foi, e o rapaz pediu a eles que fizessem um orçamento do que mais era necessário para terminarem a casa. Eles sabiam que em situações de desastre pessoas se ofereciam para ajudar, agradeceram muito, mas queriam saber mais a respeito do benfeitor. Agora vem a parte em que minha amiga me disse a mesma coisa que eu disse a você no 1º parágrafo. O moço contou que o avô dela, que ela tinha conhecido pouco, mas a tempo de perceber o quanto ele era bom com os animais, um dia tirara da rua uma gata, ainda com barriga, mas que estertorava. Ele a colocou em uma caixa e levou-a ao veterinário local. Foi conversando com ela, fazendo-lhe agrados. “Eu, infelizmente, morri!” – disse-lhes o rapaz. “O veneno já cumprira sua tarefa. Mas não é nada, pois estou de volta, e agora ajudo alguém da família de quem uma vez tentou me ajudar.” Pois é! Acontecem tantas coisas ruins, esquisitas, para as quais não temos explicações, então por que coisas boas, embora estranhas, não podem ocorrer também? O relato de minha ex-colega acabou por tornar-se, a mim, ainda mais perturbador, pois no iniciar de uma segunda-feira das férias passadas, eis que, em meu caminho, na calçada, uma gata tombada quase ao café do triste crime ainda recente. Ainda respirava, mas igualmente não sobreviveu, mesmo levando-a eu a uma clinica veterinária…
Esta postagem foi publicada em 13 de abril de 2012 e está arquivada em Haiml & etc..



