Do meu tuíter @Plinio_Zingano – Windows 8? Como?, se eu ainda não entendi o XP!
Quando o ano letivo de 2013 já terminara, o jornal Zero Hora trouxe a lume, no domingo, dia 22 de dezembro, uma reportagem que caiu como uma bomba no gabinete do Secretário de Educação do estado, José Clóvis de Azevedo. O interessante é que, para quem está envolvido no processo escolar, a bomba foi estranha apenas para o secretário e seu grupo. Nós, professores de todas as redes e de todas as disciplinas, não importando o nível, não identificamos qualquer novidade nos fatos relatados. Apenas vimos a confirmação de acontecimentos com os quais nos envolvemos diariamente em nosso trabalho. As escolas estão fora da realidade e os alunos reagem da maneira mais indesejada possível: não querem estar em aula e não estudam.
O texto foi fruto do acompanhamento, ao longo de 2013, a uma turma de 1º Ano do Ensino Médio, a 11F, numa das maiores escolas do estado, o Colégio Estadual Júlio de Castilhos, em Porto Alegre. O trabalho começou no dia 27 de fevereiro, o primeiro das atividades escolares, e foi até o último, dando conta do péssimo desempenho dos alunos durante o ano. Aquelas autoridades tentaram, nos dias subsequentes, através do seu chefe, o secretário, minimizar os fatos narrados, insinuando que eram pontuais, responsabilizando a direção do Julinho. Para ele, tudo vai bem no ensino público estadual, com uma ou outra dissonância. Casualmente, o jornal encontrara uma dessas dissonâncias. A bem da aleatoriedade, se a intenção do jornal era mostrar problemas (e veículos de comunicação sempre fazem isso, com o escopo de ajudar na solução, mostrando a existência de tais dificuldades) deveríamos saudar a Zero Hora por ter acertado em cheio na escolha da turma retratada. Ou, contrariando o chefe da educação gaúcha, em qualquer turma, em qualquer escola do estado, a história seria a mesma. Eu opto pela segunda via.
Penso que o professor José Clóvis, Doutor em Educação, não deveria zangar-se. Ou, por outra, zangar-se, vá lá, mas deveria tratar a informação com fleuma. Sua zanga será melhor compreendida se for canalizada para o objetivo de solucionar os problemas de evasão e enrolação de alunos, desatualização de currículos, inadequação do próprio sistema escolar. O secretário tenha certeza, essas reportagens não são frutos de campanha partidária. O governo anterior, contra o qual ele próprio fazia as mesmas observações, também tentou dar um jeito na coisa. Basta recordar o “Lições do Rio Grande”, da governadora Yeda Crusius, aliás, sabiamente eliminado na gestão dele.
A verdade é que, depois de tantas gerações cantando “é proibido proibir”, e de a escola ter sido transformada em “centro de cidadania”, nenhum doutorado em Educação conhece a solução para manter um aluno tranquilo em sala de aula (quase escrevi “preso”). A resposta mais fácil é, sempre, argumentar com a incompetência dos professores.
Insisto numa tese: os planos e programas escolares são criados e geridos por quem não está na sala olhando os alunos. Não funcionam!


