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Publicado em 25/12/2021 00:28 | Atualizado em 27/12/2021 07:55 Off

 A ÚLTIMA COLUNA

Pois eis a última coluna do ano, do último mês de 2021. Sobre o que falar? Planos futuros? São poucos, e confusos, e indefinidos, indiscerníveis ainda no meu ponto do horizonte. Digamos que eu ainda não acordei nada futuro com os deuses. E será que adianta?

Falar sobre esperança? Não tenho forças para isso, não tenho crenças para isso, não neste momento. E sobre desesperança? Sobre isso já muito falei. E, como diz o título, quem sabe não será essa, para alívio de muitos, definitivamente, a minha ultima coluna. Afinal não estamos mais com nossos destinos em nossas mãos, mas nas mãos das variantes e das vacinas. Elas é que decidirão quem vive ou não. Não adianta mais negociar como os deuses, esses lavaram as mãos.

Então vou encerrar 2021 falando sobre aquilo que me ajuda, e a muitos, a manter o foco longe da realidade que nos cerca, a passar um pouco melhor os dias nesse destino infeliz que encarcerou o mundo, e o futuro de todos. Vou falar sobre um dos assuntos que mais gosto.  A arte é como nós, seres humanos: caminha, rasteja, definha, enlouquece, parece que vai se acabar, mas então ressurge, se adapta, se entrelaça, se alimenta de si mesma, e continua de pé,  dessa forma ainda continuamos por ai com bons filmes e boas séries. Começo com os longas: a volta da nossa sempre querida Sandra Bullock. Enfeiada, durona, casmurra, está em “Imperdoável”, história amarga sobre uma presidiária, então liberta, que tem coisas do passado a resolver e ainda precisa se ajustar a nova vida. Muito bom. Alguém deveria levantar franquias de filmes onde Sandrinha faz dupla com famosos: Velocidade Máxima (Keanu Reeves), O demolidor (Stallone), Enquanto Você Dormia (Bill Pullman), e vários outros. Ah, Sandra também está chegando em “Cidade Perdida”, e bem acompanhada de Channing Tatum, Daniel Radcliffe e Brad Pitt.

Outro, recente, que me surpreendeu, “A Noite Passada em Soho”. Fazer filmes com mistura de gêneros não é para qualquer um. Tarantino, por exemplo, é um cara que sabe fazer isso muito bem. Mas Edgar Wrigth, que já vinha ensaiando tal mistura, com sucesso, em obras anteriores, agora nos entrega uma obra-prima, neste quesito.  Um filme no qual o cinéfilo  viaja por uma montanha-russa de emoções, tanto no de gêneros quanto de referências, tudo muito bem amarrado.

Ansioso para ver “Matrix 4”, revi os anteriores,  e dai pensei “nossa, como ainda não tinham feito sequências?”. A saga deixa muitas pontas soltas, ou seja, não acaba no terceiro. Quanto ao novo Homem-Aranha, vou com um pé atrás. Não curti nenhum com o Tom Holland. Não por causa do mesmo, que é bacana, mas pelos roteiros. O melhor filme aracnídeo ainda é o primeirão, com o Toby, clássico.  Mas tá na minha fila da sessão pipoca, assim como o novo da franquia “Pânico” e “Os Eternos”.

 “Duna”, eu, que li a obra toda, e é vasta, gostei desta nova versão para o cinema, que pretende aprofundar, mostrar o que realmente é a obra-prima literária de Frank Herbert, diferente do que fez a anterior versão para o cinema. 

“A Casa nas Profundezas” – nossa, imaginem uma casa assombrada no fundo das águas estagnadas de um lago. E tem uma curiosidade, o filho de Mick Jaeger como astro principal e o cara manda bem. Aos claustrofóbicos não indico.

 No preparo ao Globo de Ouro, agora em janeiro, – e para o Oscar 2022, onde “Duna” concorre, vejo também “O Ataque dos Cães’. Dr Estranho (Cumberbatch) em atuação impressionante, numa história passada num oeste moderno, lá por 1900, e que começa dando a ideia  de que será algo tipo “Sangue Negro” mas pega um outro rumo e vai para o lado “Brokeback Moutain” – não por acaso o autor dor romance em que o filme se baseia, viveu no oeste e era gay (enrustido). Dirigido por Jane Campion, que uma vez nos deu o cultuado “O Piano”, “O Ataque…”  tem brutalidade e sutileza muito bem entrelaçados e deve ser observado em todas suas entrelinhas: cada plano, cada cena, cada gesto, cada cenário, nada nele é por acaso. Uma bela peça de arte, assim como será o divertido “A Crônica Francesa”. Para se deliciar com “Crônica”, que tem elenco estelar, é preciso já conhecer o estilo de seu genial diretor, o gosto por temas não populares, o tom exageradamente caricatural e cartunesco, a obsessão por detalhes, o modo extremamente diferenciado com que monta-mostra uma história. Também na parada dos premiados há “Os Olhos de Tammy Faye”, que segue a linha de “Nada a Perder”, ou seja, trata das vitórias e agruras de uma famosa tele-evangelista norte-americana.

 Falando em crônicas, Ridley Scottt faz um relato impiedoso da época medieval baseando-se num episódio verídico em “O Último Duelo”. E ansioso eu para ver seu “Casa Gucci”, estrelada pelas feras Lady Gaga e Adam Driver.

Polêmicas à parte, ainda não consegui ver “Marighella”.Em compensação me dispus a ver “Nada a perder”, a vida do bispo Edir.  O bispo dá na cara de muitos e compra briga. Gostei. É sempre interessante ver como um dos lados conta as coisas.    Séries então: tem Dan Brown, com “Símbolo Secreto” levado a Tv, sem Tom Hanks, mas produzida por Brown. A nova releitura de “The 4400”, sobre tal número de pessoas abduzidas de épocas diferentes e depois lançadas aqui no nosso tempo, e, para variar, nos Estados Unidos.

“Doutor Cérebro”, série japonesa sobre um cientista que não tem emoções, não tem empatia, mas ao fazer experiências onde liga sua mente a de outros, começa a mudar. A volta do super-homem bruxo, ou seja, Henry Cavill, na segunda temporada de “The Witcher”. Para os fãs de Star Wars, ainda esse ano chega “O Livro de Boba Fett”. A cômica “Ted Lasso” sobre um treinador de futebol americano que, por motivos obscuros, é convocado a treinar um famoso time de futebol de bola redonda na Inglaterra. E há muitas outras coisas boas, para todos os gostos, é só dar uma procuradinha.

Enfim, que o ano de 2022 não nos seja tão catastrófico como eu penso que será. Pois cada vez mais predominam ignorância e ganância, mesmo que muitos tentem isso mudar.

Por Luiz Haiml
Professor, de Taquara
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