
A VERDADE SOBRE TAQUARA PRECISA SER DITA!
Certo dia, essa semana, eu acordei com um link de uma coluna do #opinião da Rádio Taquara. Li atentamente, refleti, e por um instante a desconsiderei. Saí para o trabalho e passando pela Júlio de Castilhos, aproximadamente 08 horas da manhã, me deparei com uma pessoa, aparentemente moradora de rua, pois além da roupa em péssimas condições trazia consigo os seus poucos pertences em duas sacolas que a acompanhavam, e em uma delas dava para identificar a presença de peças de roupa; procurava coisas no lixo – não sei exatamente se alimento ou se algo diferente -, mas procurava coisas no lixo. Nesse instante, a tal coluna voltou à minha mente. Refleti novamente. E, mais uma vez, entendi que deveria desconsiderá-la pela forma com que foi escrita e o tom que as palavras ali presentes traziam: um tom mais de confronto que de conciliação; um tom mais de embate do que de debate; um tom mais de polêmica que de resposta à comunidade.
À noite, em casa, por volta das 23 horas e 30 minutos, ouço latidos e vozes. Como a região onde moro teve uma série de assaltos e arrombamentos no mês de janeiro, fui observar pela janela. Era um homem na faixa dos 25 anos, aparentemente sob efeito de drogas, vestindo apenas uma bermuda e nos pés um chinelo. Batendo nas portas das pessoas nesse horário para pedir dinheiro, roupa, comida… Tristemente sabemos para onde vão essas “ajudas”.
Depois dessa cena, voltei para a cama e novamente a tal coluna veio à minha cabeça. Refleti ainda mais uma vez.
Na quarta-feira, saindo do trabalho por volta das 17:30 me deparo com mais um homem na mesma condição em pleno centro, próximo ao supermercado Rissul – local aliás, onde os clientes sofrem com as investidas dos pedintes.
Hoje, quinta-feira, mais um homem pedindo “ajudas” nas portas das casas da mesma região – Tristão Monteiro, Venâncio Aires, José Júlio Muller e Carlos Kroeff. De duas uma, ou apenas essa região tem pessoas passando por esse tipo de condição ou não entendo como sabendo os locais onde isto acontece nenhuma atitude efetiva é tomada.
Não é tão difícil perceber a quantidade de pessoas que circulam pela cidade nessa mesma situação. Então eu quero aqui, hoje, reafirmar que diferente do que li, não os vemos como um incômodo, os vemos como questão pública, de saúde pública, de segurança pública e de cidadania. Não me venham querer desmerecer a nossa luta e a nossa denúncia; não queiram diminuir o que sentimos e expomos através destas linhas; não desmereçam o sentimento que aflige as pessoas que tiveram suas casas invadidas em plena luz do dia diante de seus olhos e que agora estão traumatizadas e com problemas psicológicos; não desmereçam a voz da comunidade que usa este espaço para gritar por seus direitos.
Façam tudo que quiserem, mas não se sintam na liberdade de dizer a quem sofre com isso que é preciso fazer a nossa parte. Cumpram seu papel. Trabalhem. Façam por merecer seus salários e não venham tentar retirar a liberdade de expressão das pessoas. As redes sociais são sim um espaço que pode e deve ser utilizado para denunciarmos os descasos e nossos sofrimentos.
Que os programas sociais sejam utilizados para auxiliar essas pessoas que sofrem também com a dependência química, com a falta de dinheiro para uma moradia digna, com o desemprego, com a falta de condições dignas de vida.
E repito: Não desmereçam a dor de quem vive a insegurança e o medo todos os dias e noites de sua vida.
É como diz a frase: “Seu problema é um grão de areia, se comparado a outros. Sim, mas esse grão de areia está no meu olho”. Mais empatia com os moradores desta cidade e com os que estão na rua ou na dependência química precisando da ação governamental. E menos palco!
Por Ana Maria Baldo
Professora, de Taquara
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