Teve desdobramentos, na semana passada, a ação de despejo existente contra a Estação Rodoviária de Taquara. O processo é movido pela empresa proprietária do prédio, situado na avenida Sebastião Amoretti, e foi revelado com exclusividade pelo Jornal Panorama na edição impressa de 16 de janeiro. O juiz Leonardo Boffil Vanoni marcou para esta segunda-feira uma audiência de conciliação entre as partes, antes de analisar o pedido liminar de despejo. Ao mesmo tempo, o juiz invocou o interesse público para decretar segredo de Justiça à ação.
Os despachos foram publicados na terça-feira passada (20/01). Ao marcar a audiência, o magistrado determinou a intimação das partes para o comparecimento e, também, que a Prefeitura seja convocada a participar do encontro. O magistrado também pediu informações à sua equipe, buscando saber se a Estação Rodoviária tinha ingressado com algum outro processo para renovar o contrato de locação, bem como se os responsáveis pela concessionária já foram intimados da ação de despejo. Na tarde de terça-feira, o juiz Leonardo emitiu novo despacho alegando, que, “diante do interesse público envolvido na demanda, decreto o segredo de justiça”. Consultado por Panorama se a imprensa poderia acompanhar a audiência, o magistrado informou que não será permitido, pois o processo é sigiloso e, portanto, a audiência só poderá ser acompanhada pelas partes.
Na edição passada, Panorama revelou que a empresa proprietária do prédio entrou com o processo pedindo o despejo da Estação Rodoviária alegando inviabilidade econômica. Os advogados da empresa defendem a abertura de um acesso facilitado à rodoviária, com a instalação de semáforos no cruzamento da avenida Sebastião Amoretti com a rua Anita Garibaldi. Com isso, segundo eles, haveria uma maior movimentação na rodoviária, propiciando a viabilidade econômica ao empreendimento. Os advogados ressaltam que, se for assegurada a instalação das sinaleiras, desistem da ação de despejo.
Ainda na sexta-feira passada, o prefeito de Taquara, Tito Lívio Jaeger Filho, se manifestou sobre o assunto no programa Horário Nobre, da Rádio Taquara. O chefe do Executivo disse que se associa à ideia de abrir um novo acesso à rodoviária no ponto defendido pelos proprietários do prédio, não só como benefício ao terminal, mas também para facilitar a entrada das ambulâncias à Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) 24 Horas, que tem construção em andamento na avenida Amoretti. Titinho disse que a prefeitura tem feito reuniões junto ao Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) para defender esta alternativa.
Quanto a um possível retorno da rodoviária à área central de Taquara, o prefeito Titinho ponderou que o trânsito teve um aumento do número de veículos e que as ruas do Centro têm tráfego conturbado. Por isso, segundo Titinho, “trazer a rodoviária para o Centro seria um contrassenso”. O mandatário acrescentou que, possivelmente, nem o Daer autorizaria uma mudança com este objetivo, uma vez que tem sido uma prática a instalação das rodoviárias em rodovias.
Também consultado por Panorama, o secretário de Segurança e Trânsito de Taquara, Paulo Cézar Möller, informou que a administração municipal está tratando do tema da rodoviária. A ideia, segundo ele, é que na audiência de conciliação da próxima segunda-feira seja solicitado um prazo maior, de forma a obter autorização do Daer para a abertura do acesso à rodoviária. Contudo, Möller vê como fundamental a participação do Daer neste processo envolvendo a rodoviária. O secretário também defende que o terminal não pode retornar à área central de Taquara.
Consultada nesta semana, a administração da Estação Rodoviária de Taquara continuou sem se manifestar a respeito do caso. Também contatado pela reportagem, o Daer informou, via assessoria de imprensa, “que o interesse em manter o local, bem como investir no prédio da Estação Rodoviária de Taquara, é da Prefeitura. O Daer já está em tratativas com a mesma para buscar uma solução”. O órgão do governo do Estado informou que será iniciado um novo processo de licitação para a escolha de uma nova concessionária. Dois procedimentos já realizados não tiveram sucesso.


