
Acessibilidade nas festas
É muito comum você ler diversos segmentos afirmarem que cadeira de rodas é sinônimo de liberdade, independência, o que de fato não está errado. Porém, quero abordar o outro lado dessa visão. Do ponto de vista de cá do balcão, afinal, ninguém melhor que um cadeirante para falar sobre cadeira de rodas, não é?
Já escrevi em outra oportunidade, que a cadeira de rodas possibilita que o cadeirante faça as mesmas coisas que um “não cadeirante”, pois suas limitações são apenas de locomoção. Dessa forma, a cadeira “resolve” essa dificuldade. As aspas se dão em razão dessa não ser uma junção exata, existem variáveis que tornam menos ou mais fácil essa igualdade de possibilidades.
Uma delas diz respeito a um questionamento que é constantemente feito para um cadeirante: Como ele consegue participar de festas?
Parece uma pergunta banal, pode até parecer pejorativa dependendo do contexto, mas pelo contrário, é muito pertinente. O cadeirante recebe toda as condições para se fazer presente em qualquer ambiente, mas ele se adapta ao que quer se inserir. É possível até esquecer que se está com a cadeira de rodas, no momento que ela não é o destaque da cena vivenciada. Ela só aparece no momento que é uma “estranha” para aquele momento. Isso se dá quando o ambiente em questão, não está preparado para esse meio.
Portanto, é comum que o cadeirante opte pela “zona de conforto”, onde ele se sinta seguro e independente para as suas atividades. Quando lhe é perguntado sobre a presença em festas, quem pergunta talvez não se dê conta de que a resposta dependa muito do que a festa oferece. Quem não é cadeirante, vai a uma festa que não se identifique?
Então será que um cadeirante vai ir onde possa vir a se sentir deslocado, sem espaço físico de transitar e estando apenas por estar? Vontade as vezes não é tudo. As pessoas de modo geral, dão o seu melhor, tentam diminuir as dificuldades de um cadeirante. Shows por exemplo, a visibilidade de um cadeirante é espetacular. Mas será que todos gostam de ficar em uma área restrita, separada de toda a multidão? Mas como ficar no meio da multidão e
estar sujeito a toda a irracionalidade de algumas (poucas) pessoas que não respeitam o espaço alheio?
Cadeirante, não cadeirante, pessoas com outras dificuldades, todas gostam de se sentir bem. Seja estando no meio da massa, ou assando uma carne com os amigos. É impossível ter todas as coisas no mundo feitas como cada um gostaria que fosse. E isso não tem problema. Você gostaria que sua vida fosse perfeita, sem desafios?
Se adapte, crie o seu espaço, traga suas parcerias para perto de ti. Vale para todos nós. O melhor desafio é se desafiar.
Até o mês que vem!
Por Cassiano Gottlieb
Publicitário, de Taquara
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