Polícia

Advogado de mãe das gêmeas mortas em Igrejinha contesta investigação

Em entrevista à Rádio Taquara, advogado denuncia falhas processuais, ausência de laudos definitivos e alegações de tortura sofrida pela acusada.
Advogado José Paulo Schneider representa Gisele Beatriz Dias, mãe das crianças falecidas em Igrejinha.

O caso envolvendo a morte de gêmeas em Igrejinha, ocorrido em outubro de 2024, continua a repercutir. A mãe das crianças, Gisele Beatriz Dias, principal acusada, permanece em prisão preventiva enquanto sua defesa levanta questionamentos sobre a condução do processo e a falta de provas conclusivas. O advogado José Paulo Schneider concedeu entrevista à Rádio Taquara nesta terça-feira (21/1) para expor fragilidades que, segundo ele, comprometem a legitimidade da acusação.

Schneider ressaltou que, mesmo após mais de três meses de investigação, o Instituto Geral de Perícias (IGP) ainda não apresentou laudos que comprovem a tese de envenenamento ou intoxicação medicamentosa das crianças. “Até agora, não há nenhuma substância tóxica identificada nos exames realizados. É inadmissível que alguém seja mantido preso e processado sem uma prova mínima de que o crime existiu”, afirmou.

O advogado também criticou o Ministério Público por incluir, na denúncia, uma hipótese alternativa de sufocamento com objeto macio, como um saco plástico, apesar de o laudo inicial afastar sinais de asfixia mecânica ou violência. Segundo Schneider, a denúncia, aceita pela Justiça, carece de elementos que sustentem a acusação, tornando-se, em suas palavras, “uma narrativa baseada em suposições”.

Outro ponto grave destacado foi a denúncia de tortura sofrida pela mãe das crianças. Schneider relatou que a acusada teria sido agredida por agentes penais durante sua transferência entre presídios, resultando em lesões físicas e psicológicas, incluindo a perda de um dente. “Ela foi amarrada, insultada e espancada por homens que deveriam zelar pela custódia dela, em uma clara violação dos direitos humanos. Isso é inadmissível em um Estado democrático”, declarou.

A defesa informou que apresentou petições para que a Justiça exija do IGP a entrega imediata dos laudos pendentes e esclareça o andamento das análises. Também foi solicitada a investigação da denúncia de tortura pela Secretaria de Administração Penitenciária (Susepe). Além disso, a defesa busca a rejeição da denúncia por ausência de comprovação de materialidade, argumentando que a acusação se apoia apenas no clamor popular.

A mãe das crianças, segundo o advogado, nega envolvimento nos óbitos e lamenta profundamente as mortes, afirmando que também busca respostas sobre o ocorrido. Schneider concluiu destacando que a sociedade deve aguardar as conclusões periciais e respeitar o devido processo legal, evitando condenações precipitadas baseadas em pressões externas.

O processo agora avança para a fase de defesa prévia, na qual a acusação e a defesa apresentarão suas provas e argumentos para dar seguimento à ação penal.