
O advogado Ademir Costa Campana, que representa a mulher investigada pelo homicídio de Micael Douglas Müller, em Igrejinha, apresentou a versão da defesa sobre os fatos ocorridos na madrugada da última terça (10). Segundo ele, sua cliente agiu em legítima defesa, reagindo a uma agressão física sofrida no momento do encontro. Leia aqui a versão da família da vítima.
Sobre o desaparecimento do celular e de outros bens relatados pela família da vítima, Campana diz que o único objeto levado foi o telefone, que continha fotos íntimas que, segundo a investigada, o ex ameaçava divulgar. “Ela pegou o celular por medo. Admitiu isso. Não apagou nada. As mensagens entregues à polícia mostram conversas entre os dois”.
O advogado sustenta a tese da legítima defesa, ainda que haja a possibilidade de excesso, que deverá ser apurado pela polícia. “Ela reagiu, e agora a polícia trabalha para esclarecer os detalhes.” Após o ocorrido, a suspeita procurou a casa da mãe para relatar o que aconteceu. “Essa foi a primeira atitude dela”, disse Campana.
Campana explica, segundo a versão de sua cliente, que ela deixou o local do crime pela janela da casa, com a calça rasgada após pular uma cerca, e não pela porta. “As câmeras de segurança próximas devem comprovar essa versão”, afirma o advogado. Ele também rebate a suspeita levantada de que ela não teria condições de agir sozinha, considerando que a vítima era forte e praticava esportes. “Cada pessoa reage de uma forma em situações de desespero”, justifica o advogado.
Sobre a decisão de não pedir socorro imediato após a legítima defesa e a fuga do local, o advogado explica que cada pessoa reage de forma diferente ao choque. “Ela ficou em estado de choque, mas não fugiu da cidade nem tentou se esconder. Pelo contrário, procurou o escritório voluntariamente, colaborou com a investigação, prestou depoimento e entregou seu celular”.
Campana também nega que a mulher tenha retornado ao local do crime após o ocorrido. “Isso não ocorreu. As imagens vão provar. Ela saiu pela janela e não voltou”.
O advogado detalha que o encontro entre os dois ocorreu na tarde anterior ao crime, com relação sexual e posterior combinação de reencontro. Ela teria levado uma panela de pressão com pinhão, cozinhado e consumido vinho junto com a vítima. “Houve consumo de bebida alcoólica, mas a quantidade exata não é conhecida”.
Sobre a arma branca utilizada, Campana afirma que a própria investigada contou que pegou uma faca que, segundo ela, ficava sob o travesseiro da vítima. “Ele tinha o costume de dormir com uma faca ali”, menciona o advogado.
A medida protetiva havia sido solicitada cerca de uma semana antes do crime devido ao comportamento citado como controlador e perseguidor por parte do ex-companheiro. “Ela relata que ele não aceitava o fim do relacionamento e que, mesmo com a medida, mantinham contato. É uma situação muito complexa,” explica o advogado. Campana nega qualquer relato da cliente sobre perseguição à vítima. “Ela nunca disse isso em depoimento ou conversa conosco”.


