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Esta postagem foi publicada em 3 de maio de 2019 e está arquivada em Tudo por Acessibilidade.

“Ah, mas é um só um minutinho”, por Cassi Gotlieb

“Ah, mas é um só um minutinho”

Você em algum momento da sua vida, se viu diante da dificuldade de estacionar o seu veículo, em virtude das vagas estarem lotadas? Se não você, certamente o motorista que estava ao seu lado. Possivelmente seja algo corriqueiro em seu dia a dia, ainda mais levando em conta o número elevado de automóveis que circulam pelas ruas atualmente. As tarefas são constantes, a necessidade de deslocamento também. Em muitas situações, ele é bate pronto, não se perde muitos minutos, proporcionando assim uma rotatividade expressivas de saídas e chegadas de veículos. Nesse vai e vem de minuto a minuto, existe um número limitado de vagas que talvez na maior parte do tempo estejam ou deveriam estar disponíveis, não?

Trata-se da vaga destinada a pessoas com necessidades especificas (Não falo a palavra “especial”, muito menos “deficiente”). Em razão da dificuldade de acesso as calçadas e saídas dos automóveis, existem vagas apropriadas, todos sabem. Mas porque muitas vezes elas estão todas ocupadas, sem ser necessariamente por pessoas que precisem? Será que essas pessoas são “ruins” ou sem coração?

Com certeza que não. Atire a primeira pedra quem nunca cometeu erro nenhum na vida. Vivemos o período dos julgamentos, de apontar o dedo, de pedir exemplo, sem o dar. Isso absolve ou justifica utilizar uma vaga que não se tem direito? Óbvio que não. Por isso estamos trazendo esse tema. Não tenho a pretensão de fazer ninguém refletir, mas se eu trago esse assunto, é porque eu confio na humanidade e na capacidade de as pessoas fazerem diferente.

A ansiedade, a pressa, a falta de punição, encoraja o motorista a estacionar em uma vaga que não é sua. “Ah, mas é só um minutinho”. Nesse minutinho, algum cidadão que só tem aquela opção de estacionar, pode ter passado por ali, enxergado a vaga ocupada e perdido seu compromisso ou a oportunidade de fazer o que pretendia.

É todo mundo bonzinho e distraído? Não, tem gente maldosa em todos os cantos, que busca se beneficiar no que conseguir. Mas para isso, a consciência sempre vai pesar. Ainda mais se vier seguido de uma fiscalização séria de quem tem esse dever.

Escrevo para a maioria que é do bem, na qual eu acredito que vale a pena vir aqui e dedicar linhas todos os meses. Sou talvez um dos cadeirantes que menos tente usufruir de “benefícios” quando não percebo necessidade. E isso não é virtude. Se por exemplo, eu puder parar em uma vaga tradicional, que seja igual ou melhor que a “especifica”, por qual razão eu vou me alocar nela, sendo que pode chegar alguém que precise mais desse lugar do que eu?

Afinal, tudo na vida é bom senso. Vale para calçadas má conservadas e falta de rampas em estabelecimentos, mas esse é um tema para mais adiante. Não se constrói nada sem dialogo, sem ouvir o que o outro pensa, entender os motivos, buscar alternativas que solucione as dificuldades.

Em tudo que eu faço na minha vida, sempre penso se uma atitude minha não vai prejudicar ninguém, talvez nem sempre eu vá conseguir, somos todos humanos. Por isso mesmo que um dia você já tenha parado em uma vaga que não é sua, não se martirize, mas aproveite a nova oportunidade de fazer diferente. Quando a tentação bater novamente, pense: “Eu não estarei prejudicando ninguém”?

Abração!

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