Caixa Postal 59
Esta postagem foi publicada em 30 de março de 2012 e está arquivada em Caixa Postal 59.

Além do bem e do mal

Pessoas simples que somos, nem todos conseguimos manter os pés no chão. Dotados de certa loucura e soberba, alguns insistem em alçar voos imaginários. Antiga obsessão do homem: estar acima da maioria. Algumas vezes em um pedestal. Embora um trono talvez fique melhor aos olhos cegos pelo poder ilusório. Muitas vezes passando por cima de outras pessoas, além do bem e do mal. Não importando em atingir até os amigos desavisados com suas atitudes viciadas e nefastas, que insistem em carregar para o túmulo. Detonar a moral de alguém é o tipo de poder que, infelizmente, o mais reles mortal possui. Além de atitudes que destoam do próprio discurso, adoram criticar um colega ausente, para em seguida tratá-lo com camaradagem.
E assim segue a vida. Só resta contar com um pouco de sorte pra evitar certo tipo de pessoas, que para nosso azar, não vêm com nenhum tipo de aviso ou tarja na testa. Complicar as coisas, por mais simples que possam parecer, é inerente ao ser humano. Mesmo levando em conta tal informação, somos surpreendidos a todo instante por pessoas muito próximas, que, para nosso espanto, sofrem uma transfiguração de caráter repentina. Parecem embriagadas ao mínimo sinal de superioridade. Acabam não percebendo que a solidão devora aos poucos.
O poder corrompe? Ou será que certos indivíduos já nascem com distúrbio de conduta? Talvez algum trauma de infância. O de não conseguir ocupar um melhor lugar de destaque entre as outras crianças, pelo simples fato de estar sempre ocupado falando mal e implicando com os então coleguinhas  ingênuos, que estão mais preocupados em seguir suas vidas. Sem mencionar, é claro, a completa falta de educação que já vem de berço. Testemunhar crianças aprontando nas ruas, já é algo comum. Tudo com o consentimento dos pais, que muitas vezes fazem questão de ter um tempo pra si, quem sabe escutando música. Com o volume no talo é claro, afinal, é melhor dividir o gosto musical deplorável com os vizinhos. Caso contrário, qual seria a graça?
Marcio Renck

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