

Durante a cobertura da terceira edição do Taquara Summit, na última sexta-feira (22), a Rádio Taquara entrevistou com exclusividade algumas das principais vozes do evento. Entre os destaques estão a jornalista Alice Bastos Neves, que encerrou a programação com uma palestra sobre bem-estar e produtividade; a jornalista econômica Giane Guerra, que abordou o impacto do “tarifaço” norte-americano nas indústrias gaúchas; e a economista da Fecomércio Patrícia Palermo, que detalhou riscos e oportunidades do cenário econômico atual, com atenção especial ao setor calçadista da região.
Alice Bastos Neves: saúde, carreira e conexão humana
Em entrevista à Rádio Taquara, Alice Bastos Neves relatou como transformou sua trajetória pessoal em ferramenta de conexão e inspiração. “Eu estou acostumada a ouvir histórias. Mas, de repente, percebi que a minha própria história também estava fazendo sentido para as pessoas”, afirmou. Com 19 anos de carreira no jornalismo esportivo, Alice lembrou os desafios de atuar em um setor predominantemente masculino e falou sobre a experiência de conciliar coberturas internacionais com a maternidade — como na Copa de 2014, quando descobriu que estava grávida durante o torneio.
A jornalista também compartilhou o impacto do diagnóstico de câncer de mama, recebido em 2020, que a levou a refletir sobre a importância da saúde como base da produtividade. “A produtividade só vem a partir de uma vida saudável”, destacou. Sobre a palestra, ela afirmou esperar que o público carregue consigo reflexões práticas: “Talvez, daqui a duas semanas, quando enfrentarem um desafio, lembrem de algo que eu disse aqui.”
Giane Guerra: impacto direto no setor calçadista regional
A jornalista Giane Guerra, do Grupo RBS, explicou como o chamado “tarifaço” dos Estados Unidos afeta diretamente setores industriais do Rio Grande do Sul, em especial o calçadista — setor de grande relevância para o Vale do Paranhana. Segundo Giane, o estado não foi beneficiado pelas exceções tarifárias adotadas pelo governo norte-americano. “Trump [Donald, presidente dos Estados Unidos] quer a nossa fábrica, não o nosso produto”, resumiu.
Ela alertou que o calçado gaúcho, que havia projetado ganhos com a possível retração da China, agora enfrenta a concorrência tanto nos EUA quanto dentro do Brasil. Giane sugeriu que o setor explore novos mercados, como o europeu, e reforce sua presença no mercado interno: “O brasileiro tem um perfil de consumo parecido com o norte-americano e pode ser um bom destino para o nosso calçado mais elaborado.”
Sobre o Summit, Giane valorizou o formato objetivo das palestras e o foco na aplicabilidade local. “A gente se prepara para trazer uma informação útil para a comunidade daqui. Isso não pode ser abstrato. Precisa ser usado no dia a dia dos negócios”, pontuou.
Patrícia Palermo: desafios da exportação e oportunidades locais
Companheira de palco de Giane, a economista Patrícia Palermo reforçou a preocupação com a alta carga tarifária imposta aos produtos gaúchos exportados aos Estados Unidos. “Enquanto cerca de 36% das exportações brasileiras para os EUA foram tarifadas, no Rio Grande do Sul esse percentual chega a 85%”, explicou, citando dados da Fiergs.
Patrícia destacou os riscos para o setor calçadista da região, diante da concorrência internacional com preços mais baixos, mas defendeu que o cenário também abre espaço para adaptação e crescimento. “Mesmo num processo de desaceleração, há muitas oportunidades. A gente precisa estar pronto para aproveitá-las.”
A economista elogiou o Summit pela capacidade de movimentar o Vale do Paranhana e proporcionar trocas qualificadas. “É um evento que traz muito conteúdo e tem impacto real nos negócios locais.”


