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Esta postagem foi publicada em 23 de junho de 2017 e está arquivada em Penso, logo insisto.

AMIZADE ENDEUSADA

Do meu tuíter @Plinio_Zingano – Nem toda censura é despótica! Existe uma, aliás, que é a mais democrática das ações. Chama-se “autocensura”. Pratique! É salutar.

 

Sou um tanto arredio quando se trata de participação em festas, aglomerações, reuniões populares, enfim, manifestações grupais (inclusive naquelas que os mais despudorados podem ter associado à palavra “grupal”). Vamos dizer assim, não sou bem um bicho do mato, mas, em termos de convivência social, não me sinto muito à vontade no meio de aglomerações.
Para marcar bem a situação, vou usar um exemplo moderníssimo e pra lá de útil. É o uso do whatsapp. Finalmente, há um mês, tenho um aparelho celular capaz de utilizar esse programa de comunicação. A duras penas, estou aprendendo como operar o monstrinho e, baixei o “zap-zap” e já, até, faço parte de um grupo. É formado por três pessoas, a minha família. Isso não significa que eu seja contra essas manifestações. Participo de algumas das reuniões com gosto, mas, definitivamente, não fazem parte do meu calendário.
Estou tratando deste assunto porque, volta e meia, me deparo com mensagens celebrando o “dia do amigo” ou algum post tecendo elogios à amizade. Como considero essa data e tais elogios mais uma das celebrações sociais enquadradas nos assuntos supérfluos para mim, normalmente, deixo de prestar atenção neles. Porém, no início desta semana, li uma mensagem, dizendo que qualquer amizade com mais de sete anos, duraria a vida inteira. Ignoro onde se originou uma afirmação tão categórica e específica. Deve ter saído de um dos famosos estudos sobre qualquer coisa dos quais a internete está abarrotada.
Procurei, então, por curiosidade, informações sobre o dia do amigo e tive uma surpresa! Não sei se em outros países há a mesma frequência, mas, aqui, na nossa terra, são três as datas, cultuando a amizade: uma, popular, no dia 18 de abril; uma, oficial, no dia 20 de julho; e uma terceira, no dia 4 de fevereiro, como promoção particular, do Facebook, louvando o “amigo virtual” (bem apropriado, embora essa rede seja também um local tão hostil, quando abriga pessoas, chamando seus desafetos de estúpidos, analfabetos e quejandos). Ou somos extremamente amistosos ou damos um dedo por festas. Isso me leva ao caso das comemorações mencionadas lá em cima.
Antes de terminar, aproveito para mandar um abraço ao Fernandes Antônio Monteiro, meu amigo há 67 anos, que completou 70, agora, em junho! É mesmo, bem mais de sete anos!

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