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  PREFEITOS EM ALERTA

Ampara alerta cidades da região para possível falta de atendimentos com as novas referências de saúde do Estado

Prefeitos e secretários da região se reuniram na quinta-feira (09) para debater sobre a nova orientação do Estado do RS
Foto: Divulgação/AMPARA

Preocupados com o futuro dos atendimentos regionais no Vale do Paranhana, os prefeitos e secretários que compõem a Associação dos Municípios do Vale do Paranhana (AMPARA) realizaram uma consolidação de dados e concluíram, em reunião ocorrida na manhã de quinta-feira (09), que as novas referências de saúde impostas pelo Estado do Rio Grande do Sul poderão deixar a região sem atendimentos.

Durante o encontro, houve a análise da resolução CIB 162/RS, que redefiniu serviços aos hospitais da região, impactando diretamente as referências regionais. Como o caso de Igrejinha, que passaria a atender clínica e cirurgias pediátricas, Parobé com serviços de reumatologia, cardiologia clínica, dermatologia, gastroenterologia, pneumologia e com toda a linha de cuidado (consultas, exames e procedimentos), Taquara com cirurgia torácica, entre outras.

Esses serviços, no entanto, não estão pactuados com os hospitais, e as entidades não possuem esses serviços em funcionamento, nem mesmo para o sistema privado.

A partir da publicação desta resolução, as portas de acesso aos prestadores de serviço, que anteriormente serviam de referência, foram fechadas. Assim, os pacientes não possuem um local para efetivamente serem atendidos em diversas especialidades, pois não há, nos locais de referência impostos pela CIB, o atendimento e a estrutura adequada, e sequer existe previsão contratual para tal serviço com os hospitais.

Essa decisão imposta pelo Estado, sem consultar hospitais e municípios, preocupa os prefeitos do Vale do Paranhana, que citam como exemplo o caso de uma criança, em estado delicado, que foi referenciada para atendimento em um dos hospitais da região para atendimento cirúrgico.

Ocorre que o hospital que recebeu a criança antes não era referência, e nem possui contrato para este tipo de atendimento, justamente  por não possuir UTI pediátrica ou estrutura para realizar procedimentos cirúrgicos de forma adequada para crianças.

Como resultado, as equipes do hospital movimentaram esforços com outros hospitais em busca de um leito, em outra cidade que prestava o serviço para a região antes da nova CIB.

Segundo o levantamento dos prefeitos da AMPARA, mesmo com a adequação dos recursos orçamentários, os hospitais não têm condições de suportar os serviços que atualmente são prestados, visto o alto custo de manutenção de plantões nas áreas de obstetrícia, pediatria, anestesia, emergência e cirurgia.

Em média, apenas com custos de equipe para atendimentos básicos, como os de “porta de entrada” via SUS, são investidos R$ 275 mil, com incentivo de R$ 100 mil do Estado. Uma equipe médica de obstetrícia custa aproximadamente R$ 188 mil, com incentivos de metade do valor, em cerca de R$ 94 mil. Já para as UTI’s, o custo médio aproxima-se de R$ 217 mil, sendo R$ 144.600 em equipe médica e R$ 103.300 com equipe assistencial direta, tendo R$ 164.250 de repasses do Governo Federal e apenas R$ 41.666,66 do Programa Assistir do Governo do Estado do RS.

Tal situação, na visão dos prefeitos, gera a curto e longo prazo uma provável redução de serviços, somado a insolvência financeira das instituições e consequente agravo nas condições assistenciais da população.