A manchete principal da edição passada do Panorama, em que a atual administração municipal de Taquara anuncia a intenção de mudar o plano diretor, me motivou a escrever este artigo, mas não para contestar e sim com objetivo de contribuir para o debate que tal assunto deve ter com a comunidade. Duas coisas me chamaram a atenção na matéria do Panorama: primeiro, o fato de que foi destacada a ideia de construção de um anel viário, e por segundo, a informação, quase escondida no texto, de que um dos objetivos da mudança do plano diretor é atrair mais investimentos para a cidade.
Desculpem-me os técnicos da Prefeitura se eu entendi errado, mas anel viário não é solução para problemas do trânsito, apesar de ser sim extremamente necessário. Em relação às rodovias e aos veículos que por elas transitam, uma cidade pode ter três posições: pode ser ponto de partida, ponto de chegada ou apenas de passagem. Para as indústrias que produzem em Taquara e precisam mandar seus produtos para os clientes, a cidade é ponto de partida. Em oposto, para o comércio local, a cidade é ponto de chegada para os produtos fabricados em outras cidades e regiões. Já para os caminhões madeireiros que descem a serra e seguem para Glorinha, exemplificando, Taquara é apenas ponto de passagem.
Assim, fica fácil compreender que o anel viário pode servir para desviar o tráfego indesejado, como o dos madeireiros, mas ainda precisaremos de acessos para entrada e saída. É impossível desejar que caminhões, e outros veículos de grande porte, deixem de trafegar pela cidade. Se tal proposta surge com a intenção de minimizar riscos, lamento dizer que na verdade ela pouco efeito trará. Construir um anel viário, como por exemplo é o Rodoanel, que hoje circunda quase que totalmente a capital de São Paulo, pode ajudar o tráfego daqueles que apenas vão passar pela cidade, mas para a segurança dos cidadãos e para a economia local os efeitos serão poucos. Assim, penso que o plano diretor até pode, e deve, prever tal desvio, mas não deve caber aos cofres municipais arcar com tal despesa. Uma vez que se trata de desvio de rodovia, ela deve ser bancada com recursos estaduais.
Quanto ao segundo ponto que me chamou a atenção na matéria do Panorama, penso que ele é até mais importante para o debate pela comunidade, pois não ficou claro, pelo menos para os leitores do jornal, quais são os investimentos que a Prefeitura quer atrair. Taquara precisa hoje se reindustrializar, atraindo empreendimentos que gerem emprego e renda em grande porte. Não precisamos de mais comércio e serviços, pois nestas áreas a cidade já está bem atendida. Quem anda hoje pela área central de Taquara pode vislumbrar claramente que existem suficientes prédios residenciais e comerciais. O Plano Diretor é muito importante para a cidade e a comunidade não pode ficar fora deste debate. Seja através de um distrito industrial, ou da disponibilização de outras áreas e prédios, a questão é que a Prefeitura precisa concentrar esforços na atração de indústrias que possam gerar a riqueza que Taquara merece, e precisa, ter para reassumir sua posição de liderança que sempre teve na história do Vale do Paranhana.
João Alberto Müller
Jornalista


