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Publicado em 23/08/2021 17:36 Off

Do “Meu cinicário” – Segundo Protágoras, cada homem é a medida de todas as coisas. Por isto, é quase impossível conseguir a unanimidade em qualquer julgamento.

ANIMÁLIA

O grande sonho das pessoas é serem reconhecidas como… pessoas. Óbvio, o termo, aqui, nada tem a ver com outras espécies animais. As expressões “você é um cachorro”; “um sujeito porco”; “cara burro”, etc., são apenas, exageradas grosserias metafóricas, não uma medida exata de comparação. O reconhecimento como pessoas inclui um desejo básico do ser humano: ter sua individualidade considerada como quesito fundamental da existência. Para continuar com as metáforas animais, aqui “é que a porca torce o rabo”, ou seja, a situação fica difícil. Insisto: muito difícil! O “quesito fundamental da existência”, conforme o filósofo grego Protágoras, beira à impossibilidade, tantas são as variantes (uma palavrinha bem na moda, se considerarmos o coronavírus e as suas mutações). Mesmo englobados sob grandes características, é difícil encontrar dois seres humanos com necessidades emocionais e físicas iguais.

Faço este preâmbulo, dando uma olhada na situação política nacional. Parece um clássico de futebol! As torcidas, definitivamente, se detestam (sendo, por isto mesmo, um “clássico”). Eu diria mais: bons e maus estão se digladiando, publicamente, e, agora, eles vão ver com quantos paus se faz uma canoa. Os “eles”, claro, são os outros. Nós temos a luz da verdade ao nosso lado e não adianta: as reclamações deles, são, apenas lágrimas de crocodilo. Se “eles” vencerem, será por absoluta falta de um cão-guia. Todo o mundo sabe, a justiça é cega e deixa de enxergar coisas; nós, possuidores de olhos de águia, já estamos cansados de saber.

Nestes quase 132 anos de vigência da república, depois da sua proclamação em movimento chefiado pelo Marechal Deodoro, na verdade, nunca houve estabilidade republicana no país. Não que nunca tenhamos tido bons governantes, mas, sim, causada por aquela constante sensação de “quero mais”, sempre aproveitada por eternos salvadores da pátria, verdadeiros sanguessugas. Ironicamente, um desses salvadores, cognominado “pai dos pobres”, Getúlio Vargas, conseguiu a façanha de, eleito presidente indireto, tornar-se ditador. Depois, deposto, sem ter os direitos políticos cassados, elegeu-se senador e voltou à presidência por voto. Para safar-se de uma segunda deposição, suicidou-se. Apesar dessa tragédia, olhando de longe, nossa democracia mostra uma certeza: já sabemos quem é o eterno bode expiatório e paga o pato. O povo, um coitado boi de piranha!  Acho que não entendemos muito bem as palavras de Aristóteles, quando falou em animal político.

Por Plínio Dias Zíngano
Professor, de Taquara
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