Paralelas
Esta postagem foi publicada em 13 de dezembro de 2013 e está arquivada em Paralelas.

Aos 50

roseli santosNas últimas semanas me dei conta de que meus amigos de adolescência estão ficando cinquentões. Obviamente os que estão vivos, como eu, porque muitos já partiram antes de completar meio século de vida, infelizmente.
Imaginar uma pessoa de cinquenta anos, quando se é adolescente, é algo assombroso. Velhos aposentados, cheios de filhos e netos, cardíacos, diabéticos, hipertensos, esperando a morte chegar. Basta lembrar como eram nossos avós com bem menos idade do que isso. Embora o meu avô materno tenha vivido, e muito bem, até os 94 anos de idade, a maioria dos cinquentões daquela época, quando ainda engatinhávamos aos 15 anos, já estava no auge da terceira idade, sobrevivendo, sem botox.
Hoje, essa imagem me parece uma piada, algo tão fora da realidade dos cinquentões atuais, que eu até me assusto. Hoje, meus amigos disputam maratonas com essa idade. Eu, inclusive, comecei a correr e a fazer outras coisas maravilhosas só depois dos 40. Hoje, os cinquentões, homens e mulheres, estão sarados, malhando em academias, cheios de energia, comendo granola e soja, quem diria.
Hoje, os meus amigos de adolescência se separam aos 50 anos, namoram, casam de novo, separam e namoram novamente, saem para as baladas, enchem a cara e, acreditem, até fazem sexo com uma disposição e experiência de dar inveja a alguns jovens que, como nós aos 17 (lembram?), pensam que já são experts nesse quesito chamado “relacionamento”.
E é justamente essa palavrinha mágica que talvez faça a diferença nos cinquentões de hoje. Fomos jovens de relacionamentos intensos e verdadeiros, construímos amizades para toda vida sentados em mesas de bar ou no banco da praça, idealizando um mundo melhor entre goles de vinho e cerveja. Essa era a rede social que nos mantinha conectados e felizes.
Hoje, meus amigos cinquentões curtem e comentam tudo pelo facebook, também, mas com uma base sustentada em alicerces bem sólidos lá na adolescência. Hoje, algumas de minhas amigas cinquentonas não são mães, por opção. Outras, já são avós, inacreditavelmente, namorando pela internet e querendo viver muitas coisas, ainda, com um corpo de dar inveja e um cérebro recheado de ideias e projetos para o presente e o futuro.
Ainda bem que o passado adolesceu, cresceu e hoje amadurece com a nossa cara de cinquentões dispostos e de bem com a vida, mesmo que ela nos pregue algumas peças ao longo desta jornada. Aos 50, não há mais tanto tempo assim. Daqui para frente, nos resta o meio e o fim. E, se tudo der certo, envelhecer, sim, com o espírito mais jovem do que nunca na companhia dos que chegaram até aqui ou virar lembrança no coração daqueles que amamos nesta breve caminhada.
Dedico essa crônica aos meus amigos de todas as idades, desejando que a caminhada seja leve e feliz, para todo mundo, em 2014.

Até janeiro, pessoal!

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