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Após polêmica com Carla Martins, assessor jurídico deixa o governo Sirlei

Cassiano Ebert foi mencionado em crítica pela filha do vice-prefeito e, nesta segunda-feira (7), pediu exoneração da administração municipal; discussão envolveu a obrigatoriedade da vacina.
Carla Martins é contrária à obrigatoriedade da vacina contra a Covid-19, medida que é defendida pelo advogado Cassiano Ebert. Fotos: Reprodução / Facebook

Uma polêmica relacionada à discussão sobre a obrigatoriedade da vacina contra a Covid-19 provocou uma baixa no governo da prefeita de Taquara, Sirlei Silveira (PSB), nesta segunda-feira (7). O assessor jurídico Cassiano Ebert pediu exoneração do cargo alegando motivos pessoais à prefeita e agradecendo pela oportunidade de trabalhar no Executivo. O motivo foi uma postagem pública de Carla Martins, filha do vice-prefeito Nelson Martins (MDB).

No final de semana, Carla se manifestou sobre um comentário feito por Ebert numa postagem de Marcos André Alves. Naquela postagem inicial, Alves defendia que é totalmente a favor da vacinação contra a Covid-19, mas contrário à obrigatoriedade da vacina. Ebert respondeu: “Abrindo mão de fazer tratamento no SUS acaso se contamine, tudo certo…”. Depois, nos comentários seguintes, o advogado disse que sua posição foi uma provocação ao debate, sendo uma opinião não jurídica e no campo da moralidade.

Carla Martins criticou a opinião de Ebert e pontuou que o SUS é universal e para todos. “Conforme se resume em suas frases, pode se ter a conclusão que não podes ocupar um cargo de confiança pública, pois quando emite opinião pessoal ocupando esse cargo, o senhor fere o princípio da isonomia, colocando em dúvida seu profissionalismo, pois as pessoas contrárias ao seu posicionamento podem se sentir constrangidas, ou entender que o senhor pode prejudicá-las, pois sua opinião pessoal, ou seja, suas convicções, sua formação intelectual, sua base de construir teses e por consequência seus pareceres e entendimentos, podem por vezes estarem prejudicando o interesse público. Me admiro quem te nomeou te manter no cargo público pago pelo cidadão taquarense, o teu real patrão. Com comentário pessoal e inconstitucional, aliás, um advogado renomado, assessor jurídico da prefeitura, sabes que não podes fazer ou ter opiniões inconstitucionais. Ou um ser humano pode ser duas pessoas distintas, ou seja, uma pessoa para cada ocasião?”, questionou Carla.

Nesta segunda-feira, após o pedido de exoneração, Cassiano divulgou uma publicação no Facebook em que se manifesta sobre o assunto. Diz que Carla colocou em xeque o seu profissionalismo e competência jurídica para exercer uma função junto ao governo municipal. Ressaltou que seu comentário se deu em sua página pessoal, e não da prefeitura. Acrescentou o seu entendimento de que é correto, moralmente, que uma pessoa que rejeita a ciência ao não fazer a vacina, deveria, para manter a sua coerência, abrir mão de tratar-se com a ciência do SUS, especialmente quando precisasse de uma UTI. “Ora, me parece lógico: se você não acredita na ciência quando lhe convêm, não deveria acreditar quando a morte sopra no seu cangote. Deveria procurar um curandeiro, um chefe de Estado, etc… menos uma UTI paga com dinheiro público”, pontuou Cassiano.

“A minha intervenção foi, justamente, para que as pessoas vejam o quão contrassenso isso soa: ter medo da ciência sobre a vacina e não ter medo da ciência para se salvar… porque não tomou a vacina?! Deixei claro, desde logo, em vários outros comentários na mesma postagem, que se tratava da minha opinião moral, e não jurídica, além de, evidentemente, respeitar as opiniões em contrário”, acrescentou o advogado. Mesmo assim, prosseguiu Cassiano, não foi o suficiente para, segundo ele, que sua imagem profissional fosse deturpada frente “a um sem número de pessoas, causando toda a espécie de dano para mim e para a minha família”.

“Chegou-se ao impensável absurdo de levar às pessoas a crerem que eu, assessor jurídico municipal, teria ingerência para ‘dar parecer’ sustentando o que penso, quando isso é competência federal, e não do município (obrigatoriedade ou não de vacinação). Para aqueles que eventualmente não sabem, eu quase morri de COVID ano passado, porque não havia vacinas disponíveis. Aliás, para alguns eu até morri, mas passo bem”, pontuou, frisando que fará “toda e qualquer campanha a favor da vacinação, custe o que custar, doa ao fanático que doer”.

“E sabem o porquê? Porque não desejo a absolutamente ninguém, sobretudo a uma inocente criança, ter um tubo de oxigênio enfiado na garganta e escaras que nunca mais cicatrizam nas costas, simplesmente porque os fanáticos dizem que a ciência não é ‘confiável’. Pois saibam, a minha experiência é bem confiável, de que a Covid existe, traz sofrimento absurdo, sequelas intermináveis e mata. Inclusive crianças”, enfatizou. “A rede social tem dado muita voz aos discursos inflamados e sem o mínimo de pensamento crítico, muitas vezes apenas em busca de poder. Para sustentar as suas ideologias estapafúrdias, buscam criminalizar o direito de opinião, como exerci, na qualidade de cidadão, na referida postagem. Embora a professora Sirlei seja uma defensora do direito de opinião e certamente não me exoneraria do cargo, eu resolvi fazê-lo, atendendo a pedido de familiares, que ainda juntam os cacos após o sofrimento que passamos, de forma que, para eles, é doloroso me ver sendo exposto desta forma, quando sabem que apenas quero proteger as pessoas. Logo, retorno ao meu escritório, para atender com carinho e atenção a todos os meus clientes e amigos”, finalizou.