
Um relato feito à Rádio Taquara expôs dificuldade de acesso a testes de Covid-19 no Complexo Municipal de Saúde da cidade. Duas pessoas contaram que procuraram atendimento no local no último sábado (14) após apresentarem sintomas gripais, como falta de ar, dores no corpo, garganta e olhos, mas tiveram o pedido de testagem negado sob a justificativa de falta de testes.
Conforme o relato, ambas chegaram ao posto localizado na Avenida Sebastião Amoretti juntas, buscando confirmar a infecção por coronavírus. “Eu tinha sintomas de falta de ar, dor no corpo, passei uma noite horrível, mas disseram que não tinha teste. Minha amiga, que estava comigo e também apresentava sintomas, também não conseguiu fazer o exame”, relatou um dos pacientes.
Após a negativa, uma das pessoas realizou o teste em uma farmácia da cidade e obteve diagnóstico positivo para Covid-19. A outra não conseguiu testar.
“O médico que me atendeu disse que não havia testes disponíveis no município e recomendou que eu fizesse a testagem em uma farmácia. Eu precisava ter certeza porque ia passar a semana com minha filha pequena. Não tinha como correr o risco. Só consegui confirmar depois na farmácia, mas minha amiga ainda ficou sem saber naquele momento”, relatou.
A pessoa acrescentou que, embora o teste não tenha sido feito, ela e sua amiga receberam medicações no local. O kit era composto de Prednisona, Dipirona, Loratadina e Oseltamivir, comercializado sob a marca Tamiflu, um medicamento antiviral usado na prevenção e tratamento de gripe por Influenzavirus A e Influenzavirus B.
“Eles disseram que não tinham testes, mas deram os remédios e ainda justificaram: ‘Aqui, pelo menos, a gente dá o remédio’”, relatou o denunciante, declaração que, para ele, gerou questionamentos sobre o critério utilizado para prescrição de medicamentos, especialmente em casos suspeitos de Covid.
Durante a consulta, o paciente também questionou o médico sobre qual seria a situação de casos de Covid na cidade e recebeu uma resposta ambígua: “Ele disse que ‘tem alguma coisa acontecendo’”. A resposta levantou dúvidas sobre como o profissional poderia afirmar isso sem a realização de testes no local. “Como você sabe se não tem teste?”, questionou o paciente, que diz ter ficado sem a resposta.
“Sinto que meu direito à informação foi desrespeitado e considero um desserviço o que aconteceu. Busquei ajuda, mas, sem diagnóstico, posso ter transmitido o vírus para muitas pessoas, incluindo minha filha de dois anos”, desabafou.
O que diz a Secretaria Municipal de Saúde
Em resposta às denúncias sobre a falta de testes de Covid-19 no Complexo Municipal, a secretária de Saúde de Taquara, Loreni Spirlandelli, esclareceu que o município possui testes disponíveis, mas segue os critérios estabelecidos pela Nota Informativa nº 23/2023 do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (CEVS).
Segundo a normativa, a testagem na rede pública é restrita a grupos de risco, como idosos, indígenas, gestantes, imunocomprometidos e pacientes com múltiplas comorbidades. “Essa diretriz nos orienta a priorizar os grupos mais vulneráveis, conforme recomendação estadual: idosos, indígenas, pacientes com múltiplas comorbidades, imunocomprometidos e gestantes”, explicou Loreni.
A secretária também reforçou as orientações para casos suspeitos de Covid-19 que não se enquadram nos critérios de testagem: isolamento até a remissão dos sintomas respiratórios e ausência de febre por pelo menos 24 horas, sem o uso de antitérmicos, ou conforme avaliação médica.
“As pessoas que não são do grupo de risco, dependendo dos sintomas apresentados, o médico vai medicar e afastar do trabalho e/ou orientar isolamento independente da testagem”, acrescentou.
Loreni também afirmou que o município não tem registrado um aumento expressivo na procura por testes de Covid-19. Segundo ela, a busca por atendimentos relacionados a queixas respiratórias geralmente diminui nos meses mais quentes, acompanhando um padrão sazonal.
“Dispomos de testes nas unidades para atender os grupos indicados pela normativa estadual, e nosso estoque está adequado às demandas atuais”, garantiu a secretaria.


