
A equipe da escola Arte Sobre Rodas, de Igrejinha, está participando do Campeonato Gaúcho de Patinação Artística, que acontece nesta semana em Santa Cruz do Sul, na região central do Estado. O evento, iniciado na segunda-feira (28) e que vai até domingo (3), reúne mais de 600 atletas de diversas cidades do Rio Grande do Sul.
O grupo da Arte Sobre Rodas, que realiza as aulas em Igrejinha mas reúne patinadores de diferentes municípios do Vale do Paranhana, é formado por atletas de várias idades, com ou sem experiência. Sete alunos da escola participam desta etapa do campeonato. Sobre oito rodas, além das coreografias bem ensaiadas, todos carregam a vontade de se superar a cada volta na pista.
A professora Rafaela Benites, responsável pela equipe, destaca que os alunos vêm se preparando intensamente para a competição.
“A ideia é que eles deem o máximo na pista e saiam satisfeitos com o que conquistarem”, afirma.

A professora explica que as provas do Campeonato Gaúcho de Patinação são divididas em diferentes modalidades. No livre, os atletas apresentam coreografias que incluem saltos e giros, sendo a categoria mais praticada pelos integrantes da Arte Sobre Rodas. O free dance prioriza a dança, com passos técnicos bem definidos. Já o solo dance exige que o patinador execute movimentos em locais específicos da pista, seguindo um trajeto determinado. Por fim, as figuras obrigatórias cobram a precisão na execução de desenhos e traçados sobre o piso.
Também há competições coletivas em formatos de quarteto, minigrupo de show e grande grupo de show.
Amor pelas rodinhas
A patinação artística não se trata apenas de técnica para quem treina na escola Arte Sobre Rodas. Para elas, o esporte traz sensações intensas, desafios diários e um amor que se renova a cada treino. Clara Peressoni e Júlia Birck falam sobre suas experiências pessoais e o que as motiva a seguir nesse caminho.
“O esporte faz a gente se sentir viva. Às vezes, ele traz uma sensação de frustração, mas é justamente isso que nos ajuda a superar desafios. Eu comecei a patinar por causa da minha irmã, quando era bem pequena. No começo, não gostava muito do esporte e acabei parando por alguns anos”, relata Clara. “Mas voltei a patinar quando tinha 14 ou 15 anos e me apaixonei de novo pela modalidade. E sigo com esse amor até hoje. Para mim, não é nem sobre vencer, e sim sobre me superar a cada treino. Essa sensação é incrível, até indescritível”, conclui a patinadora.

Júlia destaca que a aprendizagem vai além do esporte.
“Eu aprendi muito fora das quadras e principalmente dentro, porque é um esporte que me proporciona cada vez me desafiar mais, superar os limites”.
Segundo Rafaela, experiência não é uma exigência para começar a treinar.
“No início, a gente tranca as rodinhas para começar a andar sobre as oito rodas. Daí, aos pouquinhos, o aluno vai se desenvolvendo cada vez mais”, observa a professora.
Quebrando barreiras
“Essas práticas não têm gênero”. Quem afirma é Marília Willrich, ex-atleta de 34 anos e tia do competidor Dominic Willrich Gomes, o “Dom”. Para ela, a patinação, assim como a dança e outras manifestações artísticas no esporte, ainda enfrenta olhares preconceituosos e machistas que a associam quase exclusivamente ao universo feminino.
Marília defende a patinação como ferramenta de transformação, capaz de agregar valores e abrir caminhos para meninos e meninas. No papel de familiar, ela descreve a arquibancada como o lugar do incentivo sem cobrança: a técnica orienta na pista; à família cabe apoiar, torcer e acolher, nos dias bons e nos dias difíceis.

“O papel de incentivador é algo muito importante. Eu observo tudo o que já vivi, o que aprendi nesse universo que, teoricamente, é mais associado ao feminino. Eu sei que a patinação ainda tem essa predominância feminina por conta de uma sociedade preconceituosa e machista, mas, na minha casa, a gente nunca enxergou por esse ângulo”.
Para ela, a patinação, não é somente um simples esporte.
“Tenho certeza de que agrega muito à vida do Dom. Enquanto ele quiser e enquanto pudermos, vamos estar ao lado dele, apoiando e incentivando, porque é um esporte lindo”.


