Do meu tuíter @Plinio_Zingano – Uma vez Luxemburgo disse que “alguém lá em cima comandou sua expulsão no Gre-Nal”. Deus? Puxa, é importante esse Luxemburgo!
AS DELEGADAS
A gente, que não acompanha novelas, começa a ficar por fora de certas tramas da vida nacional. É incontestável, uma novela participa, com firmeza, num ato de comunicação chamado agendamento. O agendamento é, praticamente, a criação de um tema de discussão dentro de um grupo, mesmo que esse grupo seja toda uma nação. Muitos de nós, com a vida cheia de compromissos, usam uma agenda, o livro dado como brinde no início dos anos, com propaganda de alguma empresa ou instituição. Esse livro serve de processo mnemônico para não perdermos nossos compromissos de vista. Bem modernamente, as agendas de computador vêm substituindo aquelas impressas. Confesso não utilizar nem uma nem outra (talvez porque minha vida seja mais linear, sem grandes sobressaltos; por isso posso me dar o luxo de não tê-las, numa triste comprovação da falta de importância). Pois é isso que a televisão faz no agendamento. Ela traz um tema à baila e esse tema passa a ser discutido em jornais, rádios, televisões, revistas, rodas de chimarrão, etc. Em suma, passa a tema de conversa. É uma agenda.
Um dos mais recentes agendamentos, em nível nacional, trata das delegadas de polícia. Não sei se a bola, nestes últimos dias, foi levantada pela televisão. Porém, parece, já há algum tempo, nos três últimos anos, um pouco mais, um pouco menos, o tema tornou-se um tanto presente nos meios de comunicação e, consequentemente, nas nossas agendas pessoais. Agora, certamente, a delegada interpretada pela Giovana Antoneli, na novela “Salve Jorge” (assim, sem a vírgula necessária para marcar o vocativo da saudação), serviu como reacendimento do assunto na mídia brasileira. Quando eu digo estar por fora não é por desconhecer a importância da mulher na polícia, assim como em todas as outras carreiras profissionais, mas por não saber que estava tão em pauta, em decorrência daquela história televisiva. Como não assisti a um capítulo sequer da novela, desconhecia esse novo despertar. Só me dei conta dele pelas notícias em cima do final da novela.
Qual é o principal foco de qualquer das reportagens a respeito das delegadas? – e neste ponto quero chegar: todas tratam da beleza dessas mulheres. Parece que um dos quesitos para desempenhar a função é, justamente, a beleza física. Ou terei atingido aquela idade em que basta ver uma mulher jovem para julgá-la bonita, mesmo quando isso não corresponde à realidade?
Será que as moças, principalmente as bonitas – se minha idade não está interferindo nos meus julgamentos –, têm um novo tipo de desafio? Terão elas esquecido as passarelas e as fotografias glamurosas e partido para uma ocupação bem mais útil à sociedade, engajando-se na luta contra o crime? Quem poderá contradizer? Tudo é uma questão de divulgação e nós, que estamos na época dos virais, talvez estejamos vivendo os bons resultados de um desses momentos.


