Obras ainda não concluídas, mas anunciadas, propagandas impugnadas: as eleições começaram e os jogadores estão prontos, apresentando suas respectivas armas, seus respectivos discursos e, nunca, nunca mesmo, seus respectivos projetos.
Dilma anuncia obras e se utiliza de um tipo de campanha bastante característica da política brasileira, que, mais recentemente, tornou-se sua grande vantagem, graças ao nosso mais perspicaz cacique: Lula. Inaugurar banheiro público, inaugurar projeto, inaugurar política, inaugurar inauguração… Enfim, de alguma forma, aparecer em frente a um grande número de pessoas que legitime aquele discurso.
Aécio também surge. Com relutâncias de si e do seu partido, com enormes dificuldades de organização e definições, ele é o grande nome que pode fazer frente ao governo petista. Apesar de não acreditar numa virada, afinal, a oposição brasileira é muito fraca e o momento parece ter passado para Aécio, ele é a segunda ponta de nossa característica eleição plebiscitária, digo, presidencial. O PSDB, no entanto, sem unidade, sem projeto, sem valorização de seu antigo projeto, parece ser um adversário fraco para o PT, que tenta, de todas as formas, evitar um segundo turno.
O grande nome do PSDB é Eduardo Campos. É verdade, apesar de ser do PSB, é ele, e, somente ele, que pode evitar a tragédia tucana. Campos pode morrer pela boca, mas não quer perder o momento. Seu partido é o que mais cresce no Brasil, muito graças aos recursos “jorrantes” do PT no Nordeste, e ele parece destinado a lutar contra isso, segundo Lula é “ingratidão”. Acredito que o seu projeto tem muito de personalismo, afinal, uma grande parte de seu partido, não quer largar a teta do governo federal e, muitos, passam a se converter em frente à batalha. Passam para o PT e para o PSD, por exemplo. O personalismo de Campos, no entanto, é benéfico ao seu partido e, por associação, ao Brasil. Além de evitar uma vitória do PT no primeiro turno e, com isso, valorizar o jogo democrático (pois a base petista irá rachar no Nordeste), Campos irá fortalecer o PSB como uma força nacional, partindo para o combate.
A última parte deste jogo: Marina e seus dilemas. Grande protagonista da última eleição, quando, somente com uma plataforma clara, conseguiu angariar uma quantidade imensa de votos, ela parece ter se perdido. Saiu do PV, aonde não tinha muito a acrescentar no sentido da filosofia, e quer fundar um partido para chamar de seu. O REDE nascerá sem lado e com uma plataforma bem específica. Não acredito, neste sentido, que ela tenha o mesmo protagonismo das últimas eleições, além de que parece que não influenciará muito os destinos da eleição. Mas, como todas as previsões, esta não é certa e, somente as eleições, no ano que vem, poderão dizer se acertei ou errei. Pretendo acompanhá-las mais de perto, o que deveria ser feito por todos nós.
Bruno Marques
Graduando de Ciências Sociais, de Taquara


