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As explicações para a tempestade de raios que atingiu a região do Vale do Paranhana

Fenômeno raro foi captado pelo Observatório Heller & Jung, em Taquara, com mais de 1.300 raios registrados
Foto: Carlos Fernando Jung / Observatório Heller & Jung

Uma intensa tempestade de raios chamou a atenção dos moradores do Vale do Paranhana e da Região Metropolitana de Porto Alegre na noite de quinta-feira (2). O fenômeno, que iluminou o céu da região, foi registrado pelo Observatório Heller & Jung, localizado em Taquara, que contabilizou mais de 1.300 descargas elétricas durante o evento.

Em entrevista ao site ABC+, a meteorologista Estael Sias, da Metsul Meteorologia, explicou que as condições atmosféricas favoreceram a formação do fenômeno. Segundo Sias, nuvens carregadas e instabilidades típicas do verão contribuem para a ocorrência de tempestades elétricas como essa.

De acordo com informações divulgadas pela MetSul Meteorologia em seu site, a tempestade também trouxe pedras de granizo médias a grandes em municípios como Rio Grande, Porto Alegre (área de Itapuã) e Viamão. A célula de tempestade teve início no Sul do estado, avançou pela Lagoa dos Patos e atingiu o extremo Sul da capital antes de se deslocar para Viamão.

A MetSul destacou que o aspecto mais impressionante foi a enorme incidência de raios acompanhando a nuvem de tempestades isolada que percorreu a lagoa até o setor Sul da área metropolitana de Porto Alegre. A partir de dados do sensor GLM (Global Lightning Mapper) do satélite GOES-16 da NOAA/NASA, foi identificado que a Lagoa dos Patos, no Leste do estado, registrou 9.056 descargas elétricas.

Entre os municípios com maior número de raios, segundo o levantamento, destacam-se: Viamão (1.210), Palmares do Sul (1.192), Mostardas (1.165), Camaquã (762), Arambaré (661), Tapes (464), Barra do Ribeiro (421), Santo Antônio da Patrulha (363), Gravataí (348) e Glorinha (309).

O professor Carlos Fernando Jung, do Observatório Heller & Jung, afirmou que o evento não possui uma denominação específica, mas ocorre quando há nuvens muito carregadas eletricamente associadas a uma célula de tempestade em rotação. “Faz quase dois anos que não se registrava algo semelhante”, destacou o especialista.

Apesar da intensidade, o fenômeno foi de caráter isolado, com algumas localidades registrando granizo até grande, enquanto áreas próximas sequer tiveram chuva.