Hoje, quando escrevo este texto, é 20 de setembro, feriado no Rio Grande do Sul, data em que se comemora o dia do gaúcho e com ele a coragem, a força e a honestidade dos heróis farroupilhas. Passaram-se os anos e, atualmente, os dilemas são outros. As guerras, consequentemente, também, e os heróis que lutam pelos nossos direitos somos nós quem escolhemos, de quatro em quatro anos. Os tempos mudaram, e as características de nossos “guerreiros” se alteraram junto. Infelizmente, coragem, força e honestidade já não constam mais no curriculum de muito deles.
Está chegando mais uma vez a hora de escolhermos quem vai lutar por nós nos próximos quatro anos, mas, a cada eleição, a escolha fica mais difícil, já que precisamos garimpar, dentre tantos candidatos, alguém que reúna qualidades suficientes para nos representar.
O cenário político no Brasil é assustador e preocupante. A cada dia, mais e mais escândalos “pipocam” à nossa frente. É como se houvesse uma desordem gigantesca, que foi enrolada e estava pressionada dentro de um armário, até o dia em que uma porta foi aberta e, desde então, os problemas só desmoronaram aos nossos pés.
Corrupção e superfaturamentos estão espalhados do Oiapoque ao Chuí. Compras grotescas, feitas com o dinheiro do povo para abastecer a casa presidencial. Desvio de verbas, mentiras sobre mentiras, que tendem a desmoronar como castelos de areia construídos na beira do mar. Surgem na nossa frente teatros, nos quais os candidatos assumem personagens honestos e corajosos, aos quais tendemos a chamar de propaganda eleitoral, ou então jogos de ping-pong verbal e invisível, onde um candidato lança uma pergunta e o outro, sem responder a primeira, rebate com uma segunda pergunta, e a isto se deu o nome de debates políticos.
O problema é que promessas, aumento de salário e Bolsa-Família não levam um país adiante. O que faz uma nação crescer é saúde e educação de qualidade, geração de empregos e, com eles, a renda, polos de produção forte, desenvolvimento da agricultura, e essas são coisas que desconhecemos. No meio de tantas propostas lindas no discurso e sem futuro na prática, perdemos a visão.
Mais de 500 anos de Brasil, inúmeras eleições e esperanças nelas depositadas, e até hoje nada mudou. E pelo simples fato de que um país novo não se faz com promessas, se faz com a soma de propostas coerentes, candidatos competentes e honestos, um povo com capacidade plena de escolha e com a união de forças para que possamos construir juntos o Estado e o País que buscavam os guerreiros farroupilhas.
Eduarda Neves
– Estudante –
Esta postagem foi publicada em 24 de setembro de 2010 e está arquivada em Caixa Postal 59.


