Caixa Postal 59
Esta postagem foi publicada em 12 de fevereiro de 2010 e está arquivada em Caixa Postal 59.

Atrocidades contra animais

Quem de nós, cidadãos de bem, não tem em sua casa um animalzinho de estimação? Seja um cão, um gato, um pássaro ou outros similares, não é mesmo? Como amante dos animais, fico extremamente chocado com episódios que presencio, a cada dia, nos meios de comunicação e também em nossa cidade: as atrocidades cometidas contra animais indefesos e, muitas vezes, sustentadores da sobrevivência de quem os maltrata.
Não comentarei aqui, detalhadamente, os requintes de crueldade a que são submetidos, pois isso presenciamos todos os dias, cenas que revoltam aqueles que têm um mínimo de sensibilidade e caráter humano. Animais abandonados, atropelados, morrendo de inanição, envenenados, arrebentados com paus e pedras… Realmente, vivemos numa sociedade, em parte, demente.
Maltratar animais vai contra os princípios éticos, morais, ecológicos, naturais e humanos. Na ética e moral, grandes mestres da humanidade nos deram lições de amor aos animais e nos deixaram ensinamentos preciosos sobre o tema. Kant dizia: “Podemos julgar o coração de um homem pela forma como ele trata os animais”. De fato, quem comete atrocidades com seres indefesos também está capacitado a fazer o mesmo com seus semelhantes. Além de Kant, podemos citar Jacques Costeau, que dedicou sua vida ao estudo das espécies marítimas e lutou pela sua preservação. Na espiritualidade, temos São Francisco de Assis, para os católicos, padroeiro dos animais e que nos encanta com muitas histórias relacionadas a isso.
Em suma, querer bem aos animais, requer inteligência humana e uma pequena dose de espiritualidade, tendo a consciência de que todos o seres foram criados por Deus para usufruírem da natureza e viverem em harmonia. Infelizmente, a sociedade está longe disso, assim se dá também em relação à natureza. Por isso, não é de se estranhar as últimas catástrofes que afligem a humanidade, uma resposta natural à ação do homem.
Por esses motivos, apelo a que a sociedade se levante contra essa problemática dos maus tratos contra os animais, que cada um faça sua parte para transformar o homem numa criatura melhor. É preciso combater tais atrocidades através da conscientização das futuras gerações, a começar nas escolas – e, aos que são ignorantes, punir com leis severas. Não podemos permitir os absurdos que estão acontecendo.
Uma atenção especial também aos cavalos, animal símbolo do nosso estado, companheiro do gaúcho. Ouvi falar de um carroceiro que faz um trajeto do litoral até nossa cidade, quase 100 quilômetros, e um animal puxando peso, quem sabe sem alimento e pouca água. Esses dias, um cavalo agonizou no bairro Empresa, não sei se de exaustão, inanição ou por ter engolido algum material nocivo ao seu organismo.
Sugiro que nossas autoridades, nossos vereadores, realizem projetos e leis ambientais de conscientização para erradicarmos toda crueldade contra animais em nossa cidade. Quem sabe nossa ação não se espalhe por outras localidades e sirva de exemplo para uma humanidade melhor, não é verdade?
“A compaixão para com os animais é das mais nobres virtudes da natureza humana”, já dizia Charles Darwin. Com este princípio podemos concluir: se quisermos uma sociedade mais humana, comecemos a respeitar os animais. Isso vai se refletir em nossas relações, com toda certeza.
Paulo Cesar Rosa da Conceição
Professor de História

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