
Populares, empresários, representantes do Legislativo taquarense, bem como do Executivo municipal, se reuniram nesta segunda-feira (04) com a direção do Lar Padilha e Associação Beneficente Evangélica da Floresta Imperial (Abefi), para conhecer a real situação do Centro de Defesa e Proteção Social da Instituição. Foram horas de discussão e propostas, que resultaram em alguns caminhos alternativos para driblar a crise que o Lar enfrenta, mas nada que definisse o caso.
Da reunião nasceram outras duas agendas, previstas já para os próximos dias, com a finalidade de reunir apenas representantes do grupo engajado e, então, alinhavar as primeiras ações para salvar o Lar do encerramento das atividades. A primeira reunião ocorre nesta quinta-feira (07) entre o Lar, o Executivo e Legislativo Municipal, e a outra reunião ficou agendada para a próxima segunda-feira (11). Conforme o diretor da Instituição, Fernandes Vieira dos Santos, “é importante dar esse tempo para que as pessoas amadureçam as ideias trazidas pelo grande grupo, conversem com os amigos, familiares, e aí sim se reúnam novamente, para colocar as ações em prática”.
Fernandes anunciou que, devido a atual situação, o Lar tem até o fim de fevereiro para apresentar uma (ou mais) solução, que seja capaz de reverter o quadro financeiro da Instituição. Do contrário, terá que fechar a unidade do Centro para não comprometer também o funcionamento da unidade do interior. O diretor disse que a situação é complicada, que as principais despesas dizem respeito ao aluguel e à folha de pagamento dos funcionários, mas algumas medidas tomadas pelos municípios – diminuindo o número de acolhimentos no Lar, por exemplo – agravaram as finanças da casa.
“Não estamos apontando culpados, mas é uma realidade. Uma parte significativa das receitas do Lar vem das prefeituras e, com a crise, os municípios diminuíram os acolhimentos, automaticamente diminuindo a receita do Lar. Que bom se as crianças não precisassem do acolhimento, mas sabemos que esse não é o caso. É contenção de despesas”, lamentou. Presente na reunião, o conselheiro tutelar de Taquara, Jonathan Almeida, lamentou a situação e fez um apelo à população,principalmente local. Disse que o Conselho Tutelar faz acolhimentos e encaminha ao Lar Padilha com a finalidade de poder manter o vínculo entre as crianças e a família e, posteriormente, reinseri-las na família já estruturada.
Porém, se ocorrer o fechamento do Centro, as crianças daqui serão encaminhadas para outros municípios, dificultando todo o processo e comprometendo o trabalho e recuperação das crianças.

Um novo ciclo
Marcada para discutir propostas para viabilizar o funcionamento do Lar, a reunião também reservou momentos de emoção para todos os que participaram. Discreto, no meio de todos, um ex interno, Felipe Fogaça Martins – de Nova Hartz – externou o agradecimento pelo engajamento da comunidade. Disse que foi acolhido com oito anos de idade, quando a mãe faleceu e o pai o abandonou. Cresceu e hoje é ele quem busca auxiliar no que pode.
“Antes de chegar ao Lar, eu tinha uma ideia completamente diferente do que encontrei. Me contei feliz em ter um teto, mas não imaginei que o Lar seria mais do que apenas uma casa cheia de coisas e pessoas estranhas. Eu fui, de fato, acolhido, amado, educado. Tive também meus momentos de rebeldia, fiquei de castigo, mas foi isso que moldou meu caráter”,relatou o jovem de 19 anos.Felipe disse que se sente eternamente grato, e não aceita que a instituição encerre as atividades. “Se não fosse pelo Lar, talvez, eu seria mais um na marginalidade.”


