Conte como iniciou seu relacionamento com o tradicionalismo?
Quando menino, eu passava minhas férias com meu tio e padrinho, senhor Arcenio Sander (já falecido) no interior de Três Coroas. Mais tarde, fui morar um tempo com ele, e sempre escutávamos o programa de Teixerinha e Mary Teresinha na antiga rádio Difusora, e também íamos juntos nas carreiras de cancha reta, onde hoje é a cervejaria Brasil Kirin. Além disso, não perdia nenhum programa Galpão Crioulo, quando ainda era exibido aos domingos antes do meio dia. Ali foi o início de tudo. Mais tarde, comecei a frequentar o CTG pela mão de minha esposa, antes de casar, e fui gostando, me enturmando, aprendendo sobre as danças, as lendas, as tradições, até me associar no CTG O Fogão Gaúcho para meu filho mais velho, o Bruno, entrar na invernada iniciante. Então vieram as tertúlias, os bailes, os amigos, os rodeios. Depois, meu filho mais novo, o Arthur, também iniciou no CTG. Quando dei por mim, estava indo ao CTG de 3 a 4 dias ou noites por semana, e, na mesma ordem, me lançaram como candidato a patrão. Desde então, estou me dedicando de corpo e alma ao tradicionalismo.
Para o senhor, o que significa estar à frente de um CTG tão tradicional?
Um orgulho imenso e uma responsabilidade maior ainda. Um trabalho intenso e comprometido com os sócios de nosso CTG e toda a comunidade do Movimento Tradicionalista Gaúcho.
Como você tornou-se representante comercial?
Sou sapateiro desde os meus 12 anos e sempre me interessei em aprender funções novas e evoluir. Primeiro fui auxiliar de produção, mais tarde, encarregado de setor, depois supervisor, gerente e o próximo passo foi me tornar representante comercial. Já atuo nesta função há 13 anos e me identifico com ela, pois é necessário ter conhecimento, perseverança, transpiração, humildade, simpatia e muita honestidade. Posso dizer que se algum dia eu deixar o setor coureiro calçadista, serei representante de outro segmento, pois vender é uma arte.
Como você se define?
Sou um lutador e um perseverante, amigo dos amigos, cordial, muito ligado aos meus princípios e minha família acima de tudo.
Um sonho:
Fazer um cruzeiro pelas ilhas gregas com minha esposa e ver meus filhos bem sucedidos na vida, tanto moral, econômica, como intelectualmente.
Qual seu hobby?
Adoro cozinhar e me reunir com meus amigos e familiares.
Quem você tem como exemplo?
Meus dois pais Erno Sander (falecido) e o segundo Reinaldo Port (meu sogro, o qual tenho como pai desde que o primeiro se foi, há 5 anos). Eles me ensinaram que, apesar das dificuldades da vida, nunca se deve deixar de acreditar, de lutar sempre, e me manter no caminho de meus objetivos com humildade, respeito aos meus princípios e ao próximo.
Deixe uma mensagem aos leitores do Jornal:
“Bom, deixarei duas. A primeira é: nunca deixe de sonhar, acredite, lute, viva, ame o que você faz e com certeza chegarás ao seu objetivo. A segunda é: Tradição não se inventa e não se compra. Tradição é tudo aquilo que absorvemos da geração que nos antecedeu e que nos foi transmitido na convivência familiar ou social.”


