Do meu tuíter @Plinio_Zingano – Não entendo: apesar de todas as “porcarias” que comemos, a idade média do ser humano está aumentando. Algo está errado com a nutrição!
BARRACO
A vida em sociedade é um grande mistério. Somos todos individualistas e, por mais que tentemos cantar as vantagens da ação grupal, o que fica valendo, no fim, é o caráter solitário dos nossos desempenhos sociais. Não estou comentando isto para lamentar este estátus. Gosto da individualidade, embora saiba dos seus males quanto à vida em grupo. O problema do grupo são os “vivos”. Eles tentam atingir todos os seus objetivos, sempre agindo sob o teto protetor da atividade conjunta. Eles se escudam no “bolinho”, porque, geralmente, em termos de más consequências, “não dá nada”.
Na esperança de tornar a vida em grupo um pouco menos agressiva aos nossos objetivos pessoais, as sociedades recorrem ao balizamento de todas as coisas que acontecem diariamente. Devido a isso, temos leis, normas, regras; não porque o homem goste de complicar (na realidade, gosta um pouquinho!), mas na tentativa de fazer mais simples a convivência com seu semelhante.
Pessoalmente, sigo as regras. Obedeço aos sinais de trânsito; não falo ao celular se estiver dirigindo; respeito os horários; enfim, cumpro compromissos marcados e procuro não auferir vantagens para as quais outros não tenham tido as mesmas condições de concorrência. Ou seja, sou o clássico tipo careta. Meu maior desafeto é, obviamente, o espertinho, aquele que tenta se valer das regras para conseguir vantagens pessoais, mesmo naqueles pequenos atos do dia a dia. Não estou contando isto para figurar de bom-moço (pela minha idade, já é impossível) e nem figurar de bom velhinho (ah! o Papai Noel!). Acontece que, assim como respeito os direitos alheios, estabelecidos pelas regras de convivência, gosto de ver respeitados os meus.
Esta introdução é para falar de uma cena constrangedora – o clássico “barraco” – da qual tomei parte como protagonista. Estava na fila do caixa do supermercado, no último sábado, esperando a minha vez de pagar as compras. Quando chegou essa ocasião e o atendente se preparava para começar seu trabalho, fui empurrado por uma senhora, dizendo: “agora eu vou ser atendida; esta é a fila dos idosos!”. Minha primeira reação foi de vaidade. Alguém me chamara de jovem. Logo voltei à realidade. A grosseria da atitude dela exigia resposta à altura, ainda mais que eu estava no lugar certo, a fila de atendimento preferencial por idade. Neguei-me a dar-lhe o lugar, explicando-lhe o porquê (com educação, talvez ela tivesse conseguido). As filas preferenciais são alvo de muitos, os tais “espertinhos”, pensando apenas nas suas conveniências. Minha antagonista praguejou, ameaçando-me com o fogo do inferno e que eu me recordaria daquele momento, porém seria tarde.
Em parte, aquela senhora teve razão. Não quanto à bobagem do fogo, mas quanto à memória. Realmente, estou pensando nela bem mais cedo do que o previsto. Concluí que nem tudo pode ser normatizado. A civilidade, por exemplo.


