
A banda Batuca na Bituca, formada por músicos do Vale do Paranhana, embarca neste final de semana para São Paulo para a primeira apresentação fora do Rio Grande do Sul. A estreia na capital paulista ocorre dentro da programação do projeto Som do RS, iniciativa idealizada pelo produtor Paulo Zé Barcelos.
Entre os dias 30 de janeiro e 1º de fevereiro, a caravana do Som do RS ocupa a Nave Coletiva, sede da Mídia Ninja, na capital paulista, para uma imersão que cruza showcases, oficinas, workshops, trocas de ideias, criação coletiva e música ao vivo. No sábado e no domingo, a partir das 16h, o público poderá acompanhar gratuitamente os shows das bandas participantes.
Segundo o guitarrista Lucas Nunes, a ida a São Paulo representa um desejo antigo do grupo e marca um momento simbólico na trajetória da banda.
“É uma vontade antiga da Batuca na Bituca fazer um show fora do estado. Será a primeira vez e não por acaso acredito que o destino nos levou à maior cidade da América Latina. É onde tudo acontece, onde a vanguarda musical está presente. Pelo menos é assim que enxergamos São Paulo”, afirma.
Lucas destaca ainda o impacto pessoal e coletivo da estreia na capital paulista. “Existem vários integrantes da banda que sequer conhecem São Paulo, eu me incluo nisso. Então, certamente estrear na grande cidade é um misto de euforia, alegria e ansiedade quanto à receptividade dos paulistas”, completa.
O Som do RS teve início com um amplo mapeamento e cadastro de bandas nas nove regiões do estado. Os grupos selecionados participaram de cinco mentorias ao vivo, transmitidas por streaming, conduzidas por mestres e mestras da MPB e por profissionais com atuação consolidada no mercado da música, como Pena Schmidt, Dani Ribas, Fernanda Couto, Edson Natale, Dríade Aguiar e Cristina Baum. Entre os critérios adotados na seleção estiveram dinâmica, presença de palco, estética, diversidade, inclusão e formação da proposta artística.
Segundo Lucas, a Batuca na Bituca foi uma das bandas escolhidas para integrar o projeto e, no ano passado, já havia participado de uma das etapas presenciais em Porto Alegre, com apresentação no Pavilhão Eco Sustentável da Cultura Hip-Hop. A imersão em São Paulo marca o encerramento de um ciclo e, ao mesmo tempo, a expansão da circulação dos artistas para além do território gaúcho.
Além da Batuca na Bituca, a programação do Som do RS em São Paulo reúne artistas como Gabi Lamas, Jalile, Camila Balbueno, Rap Pampa Crew, Código Penal, Chá de Broders, Supervão, Miri Brock, Leu Kalunga, Freak Brothers, A Virgo, Zilladxg e Sotaques de Fronteiras, reforçando a diversidade estética e sonora da música independente produzida no Sul do país.
O projeto Som do RS é financiado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc, repassados pela União ao Estado do Rio Grande do Sul. O projeto tem como foco a formação e a divulgação da nova cena musical gaúcha.
Do rock ao baião
Formada por Julia Tavares, voz, Lucas Nunes, guitarra, Lucas Almeida, guitarra, Poejo, baixo, e Gustavo Lima, na bateria, a Batuca na Bituca estreou em 2017 com o EP ‘Acalanto para o Mundo Moderno‘ e ganhou destaque com o single ‘Mormaço de Outubro‘ em 2018. Em 2024, lançou os singles ‘Todos os Milagres que Fiz Nascer‘, ‘Samba da Euforia‘ e ‘Laranjeiras‘, que integram o primeiro álbum de estúdio, ‘Batuca na Bituca‘, lançado em fevereiro de 2025.
O trabalho mescla influências do rock clássico com ritmos brasileiros como samba, xote e baião. A banda já foi em alguns festivais de música do Rio Grande do Sul, como o II Festival Itinerante da Música Brasileira, com a faixa ‘Fisga de Anzol’, e o 19º Festival Alegretense da Canção, com a faixa ‘Fantasia de Fevereiro’.


