Do meu tuíter @Plinio_Zingano – Sugestão aos concursos: eliminem a redação. Basta pedir o endereço do Facebook do candidato!
Faz pouco tempo, tomei conhecimento de um novo conceito sobre o comportamento do ser humano em sociedade. Já tinha visto pela televisão uma ou outra reportagem sobre o assunto, mas levara-as em conta como algo excepcionalíssimo em termos de frequência, por isso mesmo, motivo para aparecer num xou televisivo. Estou falando dos acumuladores, aquelas pessoas que vão juntando coisas sem controle algum e, nos casos extremos, depois de tornar suas moradias um literal ninho de ratos, conseguindo um passaporte para ser alvo das reportagens.
Aos poucos, comecei a pensar sobre mim. Não que seja uma coisa rara dedicar meu tempo a mim. Pelo contrário, ignoro melhor assunto, mas passei a me olhar sob uma nova ótica. Vocês conhecem aquele sentimento despertado em nós depois de olharmos alguma coisa no jornal, na revista, na própria televisão ou, vá lá, no contato com outras pessoas? É aquele sentimento meio pânico de estarmos sendo atacados por problema ou doença igual. Estaria eu, também, sofrendo daquele desvio comportamental e guardando coisas inúteis, sem nenhuma finalidade lógica, somente por guardar? Pois é, obriguei-me a fazer grandes sessões íntimas de autoanálise. E o resultado de meus pensamentos foi um pouco desagradável, embora, absolutamente, não preocupante.
Minha conclusão foi: sim, tenho alguns traços bem fortes de um acumulador. É aquela vontade de manter comigo os objetos guardados, pois crio com eles uma relação de carinho (obviamente de mão única, de mim para os objetos – acreditar no contrário já seria ultrapassar os limites da sanidade). A par dessas conclusões, entretanto, tenho conseguido permanecer dentro de uma faixa de comportamento aceitável.
A parte mais substancial de objetos guardados por mim é feita de papel. Sim! Tenho todas as cartas recebidas – sou de uma época em que a gente se comunicava por uma coisa chamada “carta”; era um processo um pouco mais demorado de comunicação, mas funcionava. Outra existência, importantíssima, nos meus acúmulos é de algo chamado “livro”. Muita gente ainda se lembra desses objetos. É uma acumulação um pouco mais volumosa, porém está sob controle em termos de quantidade. Confesso que, se dependesse tão somente da minha vontade, seria maior! Há as fotografias, hoje, maravilhosamente, eletrônicas, mas um dia reproduzidas em papel e, por isto mesmo, mais guardáveis.
Finalmente, existem os meus rascunhos de textos, desenhos, histórias em quadrinhos e – pasmem – poemas! Estão em cadernos manuscritos e em folhas esparsas! São as minhas preciosidades talvez de pouco valor artístico, embora de grande valor na minha história de vida, classificados como “tentou ser intelectual” à qual acrescento um tanto sem modéstia uma subclassificação: “algumas vezes conseguiu”.
Esse é o meu baú de rascunhos. É, realmente, muito bom pensar em acumulação enquanto releio minha antiga produção Gosto de abrir esse baú, uma verdadeira máquina do tempo pessoal, para viajar a um passado muito importante. O meu passado!


